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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um livro + um quarto

O que quero da vida?
Ele, um livro e um quarto.
É muito? Acho tão pouco, ou melhor, tudo.
São coisas simples de se querer.
Esse questionamento surgiu numa conversa com Gisa, onde, pensando nos livros e os homens de nossas vidas, constatamos que apenas três coisas são necessárias para sermos felizes: Um livro, um quarto e Ele.
Não é suficiente? Perfeito!
Vou propor-lhe essa vida. Passo lá na escola, sequestro-o depois da aula e tranco-o comigo em um quarto silencioso onde escutaremos apenas a nossa voz recitando Drummond.
Claro, só podia ser Drummond e o seu "Amor natural". Tem livro mais apropriado para nosso idílio amoroso?!
Uma poesia sensual e bem feita...
Ele, um livro e um quarto
Eu, Drummond e uma cama
Nós, o Amor natural e um prazer.
E você, quem levaria e qual qual livro seria?

Os números e eu

Jurava que dia 23 era o dia 24 e assim viveria essa semana um dia adiantado, deslocada do tempo dos meus compromissos.Essa história de "o número nas nossas vidas" já é chata na universidade, mas se dar conta dessa verdade é pior ainda.
Odeio matemática!!!
No entanto tudo ao meu redor está numerado: tenho tantos anos, não sei quantos amigos, faz tantos meses que não o vejo,...
Quer saber, cansei... Sabe o poema de Quintana? O das datas! Esquece.
Voltam-se as datas... Essa história de viver fora de tempo não dá pra mim, meu tempo é tão exato que não tem como relativizá-lo.
Não tem como não contar os dias de minha vida, então vou começar a dar valor às expressões algébricas que me rodeiam, principalmente àquelas em que tenho que encontrar as icógnitas de minha vida.

Decadência

Não dão mais flores no meu jardim.
Progressivamente minhas rosas murcham e o girassol não volta em busca de calor.
O outono retorna como uma fotografia antiga... folhas secas no chão, um vento gelado e uma solidão insistente.
Olho ao redor e me faltam lembranças - Dálias, orquídeas e papoulas vermelhas.
Procuro, procuro, procuro e nada encontro além de uma singela violeta e um simples amor perfeito.O vazio se expande e a solidão grita como louca querendo suicídio...
Sinto falta dos perfumes.
Sozinha, sentada em meu jardim, fecho os olhos e espero por um coelho branco que venha apresado e me tire desse mundo decadente.
Será que ele vem?
Estou mortalmente cansada desse Eu, preciso de outro.

( Março de 2009 )

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quem diria Roberto...

A vida vai se mostrando em detalhes tão pequenos ...
A cor de uma pétala, o choro fino de um bêbe, a refrescância de uma brisa, o mar, um sorriso, a saudade.
Escutei detalhes hoje de manhã... Ônibus lotado, calor insuportável e a Fé filosófica de Jaspers.
Não curto muito/nada Roberto Carlos, pior ainda se é Bruno e Marrone que canta, mas não sei porque, adoro essa música.
Outro cabeludo em sua vida...
De repente você vai lembrar de mim...
O quase também é mais um detalhe...

Tá, não quero outro cabeludo em minha vida, mas adoro lembrar "de repente" de alguém, mas também detesto os "quases" que me perseguem...
To olhando e guardando tudo... Registrando...
O Bem vinda pequena
O olá amada
O oi mãe
Mas o mais forte é a lembrança daquela orquídea branca que devia ter sido minha.
Quero um beijo silencioso ,calmo e emocionante igual ao de Amelie Pollain.
Queria encontra-lo atrás da porta, olhar seus olhos claros e tocar-lhe os detalhes de seu rosto amado.
Me aproximaria lentamente só para sentir seu cheiro de flor do passado e beijaria sua face doce em busca de sua boca.
Fecharia meus olhos e encostaria meus lábios aos dele, sentiria sua língua, sua saliva e aclamaria a saudade abrasadora de meu desejo.
Meu coração dispararia, minhas pernas tremeriam e cada veia de meu corpo pulsaria enlouquecidamente pela emoção de beija-lo.
O mundo então pararia