Meus rabiscos estão demasiadamente azuis, não um azul celeste, como os dias de sol que começam a fazer, mas algo meio cinza, puxando para um esboço um tanto undefined/indefinido...
De repente sinto a necessidade de esquecê-lo. É como se agora viesse aquela oportunidade, aquela tão esperada oportunidade de me afastar dele.
Não lembro a última vez que nos falamos,
Não lembro a última vez que nos vimos,
Não lembro a última vez que nos amamos.
Como assim?
Como assim que minhas lembranças, como crianças medrosas, se escondem em armários sem me deixar pistas pra achá-las.
Tá tudo tão azul na minha vida que essa calmaria inescrutável destempera os meus dias fixando-os em obrigações acadêmicas.
Faz tempo que não ligo,
Faz tempo que não escrevo,
Faz tempo que não procuro...
e aquela ausência que enlouquecia meu coração passa a ser tão íntima que chega e se acomoda em algum cantinho de mim sem fazer grandes alardes passionais.
Escrevo e penso se há alguém que possa me dar o que ele me dá, ou não dá, sei lá depende do que eu quero. Mas na verdade, mesmo, nem sei o que quero, só sei que ele é fundamental.
Fundamental como?
Fundamental assim, meio wave, um amor inexplicável, feito de detalhes.
Se penso só no conjunto penso logo como é que amo esse cara?
Mas o todo despedaçado me fascina...
O cheiro, o cabelo, o beijo, os olhos...
A barba, a boca, a voz, as palavras...
Todos os detalhes, todas as partes desse homem são demasiadamente perfeitas para mim.
Então, como tirá-lo da minha vida?
É que a ausência tá tão ausente que involuntariamente se torna vazio.
Droga!!!
Eu não quero parar de te amar asim, de repente, andando no meio da rua e deixando o meu amor perdido em qualquer calçada suja.
Não quero um amor triste, não acredito num fim sem despedidas, não consigo entender o teu descaço.
Tento esquecer que te amo, mas sei que não posso.
Tento não dizer que te amo, mas meus esparadrapos estão caindo.
Tento, tento, tento
e vou vivendo assim, de tentativas e tentações, fazendo de meus dias azuis parte de minha vida "colorida",
e vou vivendo assim, em peças rodrigueanas de papéis escondidos que fogem de felicidades platônicas,
e vou vivendo assim . . . . . . . . . . . .. . . . . . .. . . . . . . . . . . . sem você.