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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Permanecem




 Achei esse blog por acaso, mesmo que a autora diga que o acaso não exista e absurdamente me vi nas palavras que ela escreve... o endereço: http://blogfullmoon.blogs.sapo.pt/
pena que ela parou de postar nele, mas vale a pena... é lindo!!! Apreciem!!!

Mais um ano que passou como nuvem que se esfuma.

É o princípio de outro que se constrói sobre sonhos e promessas.

Noites que se viveram, dias de espera, manhãs de angústia, esperança, tristeza, alegria, indiferença, raiva, dor… sentimentos que desfilaram neste palco onde nos articulamos.

Gestos repetidos, frases que se trocam, rostos que se vêem e… o que fica? Quem fica?

Permanecem, como estrelas em noite escura, pequenos momentos, fragmentos desprendidos de uma realidade pardacenta, onde habitamos e respiramos.

Quem ficou, mesmo não estando presente, caminha a meu lado… será uma sombra, um suspiro, um sorriso, uma gota de chuva… será para sempre em mim a memória daquilo que foi!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!



É meia noite e mais um ano se acaba.
Comemoremos!!!
O ano que se vai ou a nova esperança que chega?
Esperança?
Esperança de que dias melhores sempre virão...
Novos desejos, novos amigos, novos lugares, alegrias, festas... novos amores.
Elevem suas taças, fechem os olhos e façam simpatias para chamar a boa sorte nesse novo ano.
Simpatia boa é a da uva, traz dinheiro.
Ou talvez a da peça íntima com a cor do seu desejo futuro...
Ano novo vida nova!
Eita!!!
Mas é ano novo então brindemos...
e aqui faço o brinde aos meus amigos, que esse ano foram fundamentais para mim e à minha princesa que me trouxe a luz dos meus olhos.

Sofrimento antecipado

Quando iria imaginar amar assim alguém?

Tão pequena... geniosa... indefesa e linda...
Como imaginar minha vida sem você?
Como vou acordar de manhã e não receber teu sorriso de bom dia?
Como vou estudar se você não estará na porta do meu quarto batendo para brincar?
Como é que vou passar pela porta do teu quarto e esquecer os dias em que fui lá espiar você dormindo?
Como olhar o berço, o andajar e todos esses brinquedos que são teu?
Como vou poder ficar na sala sem você gritando e bagunçando tudo?
De que cor serão meus dias nessa casa sem teus pequenos olhos que tanto amamos?
Tudo agora está vazio só de imaginar você longe de mim...
Quem vai puxar meu cabelo, arranhar meu rosto e me fazer gastar todo meu dinheiro em ursinhos, bonecas e vestidos cor de rosa?
Os planos onde ficarão?
Não vou escutar você dizer o seu primeiro titia?
Não vou ver ser primeiro passo?
Não vou te acompanhar no teu primeiro dia de aula?
Não vou te por no balé junto com Clarinha?
Tenho tanto pra te dar ainda... ainda faltam tantos beijos, tantos cheiros, tantos abraços, sorrisos, gritos e choros...
Como é que vou ficar sem sentir o teu cheiro? Sem te ver tomando banho e molhando tudo ao redor? Será que nunca vou cantar com você a música do chuveiro que canto quando dou banho nas crianças?
Com quem eu vou me preocupar em levar ao médico?
E o maiô rosa que comprei pra você? Onde usarás se naquele nada que insistem em te levar não tem praia? Em que mar vais se banhar e em qual areia espalharás os castelos que eu criarei pra você?
Teus aniversários irão passar e os presentes ficarão nas vitrines, pois a distância me impedirá de ver a tua alegria em rasgar os embrulhos.
Quem vai ser minha vida se você se for?
Sinto uma dor e choro compulsivamente...
Meu coração ta virando pó e até que o tempo passe e eu me acostume apenas com teus recados o sofrimento vai ser muito grande e confesso que a cada dia que passar vou definhar de tanta saudade...
Meu amor é deveras grande por alguém tão pequenina...
Te amo porque você é a minha vida!


Ao amorzinho da minha vida...

Ayel



Queria ser um anjo.

Daqueles com rosto de anjo, com grandes asas de anjo.
Queria, com minhas asas, voar sobre o abismo que caminha a minha vida.
Um abismo labiríntico sobre o qual insisto em dançar.
Sonho este sonho e ao acordar-me olho no espelho em busca de meu verso encantado.
Estou presa ao chão.
Carrego apenas em Resquícios de mim um vôo .... as minhas omoplatas serão raízes de asas que se despedaçaram no momento em que minha alma encarnou?
Queria ser um anjo,
Daqueles com rosto de anjo, com grandes asas de anjo ...
Mas é quando olho em meus olhos que sei que sou um anjo enfim.
Um anjo caído abandonado, esquecido nesse mundo de demônios libidinosos.
Um anjo pornográfico.
Anjo Souvenir de uma loja de lembranças.
Anjo de pecado.
Agora eu sou um anjo.
Sem aquele rosto de anjo,
Sem as grandes asas de anjo.
Sou um anjo com resquício de duvidosa pureza.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Te mando um recado



Olha... te espero sentada em meu mundo vermelho... hoje escuto um tango e sinto que cada vez mais teu amor anda para longe de mim... sei que sou meio assim, assim... mas olha... o tempo passa e a eternidade de dias que estou aqui, sentada nesse chão frio, a escutar diversas músicas só para lembrar de tuas mãos... é tempo demais amor... como estás? Acabou de passa um carro parecido com o teu, mas não vi a placa, também não adiantaria, não sei teu número, nem teu endereço, como te achar se não nos meus sonhos esporádicos e freudianos??? Se fiquei esperando você chegar é porque uma festa preparei, botei o vestido azul que achas lindo, o perfume sensual que te agrada e uma música de Nando Reis. Os dias insistem em passar, mas o futuro que me prometeste ainda não chegou, vai demorar muito? Não agüento mais esse presente insistente... não sei mais de que cor eu pinto meus cabelos e isso é trágico. Estou com medo. Começa a escurecer e as luzes não clareiam muito, são daquelas amareladas que não me permitem ler aquele romance daquele escritor que tu tanto ama e me fez amar também. Como estás? Meus olhos continuam tristes e a minha voz anda relutante, parei de ler Nelson, ando meio romântica e comprei uma blusa cor de rosa. Continuo sentada assim, com minha postura incorreta e com esse amor condicionado a sua ausência que parece não lembrar que me esqueceu aqui. Beijos, me liga.

OLHOS

De repente se olharam

E numa fração de minuto sentiram uma imensidão de sonhos solitários passarem por suas mentes...
Aqueles olhos se apaixonaram e a partir dali viveram uma vida de lágrimas, colírios e oftalmologistas...
Como era possível que aqueles olhos possuíssem tamanha delicadeza em seu jeito de sentir? Bastavam olhar um no outro que tudo passava e ser eles.
Tudo era tão singelo ao redor que, sem perceber, como uma falsa paz que se instalava num peito angustiado, desejaram se entregar aquela sensação azul.
As vozes não eram ouvidas, pois palavras não eram necessárias naquela comunicação.
As peles roçavam ao som do sussurro do suor que descia e as bocas, abertas, beijavam-se em busca de um gosto apurado e indiscreto.
Em cada momento juntos aqueles olhos se amavam na contemplação de um prazer, mas de repente foram necessários óculos e as lentes passaram a atrapalhar... o amor ficou embaçado...
E aquilo que era claro, nítido e perfeito passou a ser aparentemente confuso e estranho.
As lentes fizeram a visão supostamente melhorar e aquela pele lisa, não parecia mais lisa e aqueles cabelos macios não tinham mais a mesma cor e os olhos, ao acostumar-se com as lentes passaram a se cansar daqueles rostos outrora belos.
Descontentes com a situação resolveram ir em busca de novos recursos, talvez colírios ajudassem a descontrair o momento... o cansaço... mas tudo parecia vão... os olhos não mais se reconheciam e as palavras passaram a ser necessárias.
Aprenderam a falar, mas as frases nunca diziam exatamente o que sentiam, sempre vinham rodeadas de dúvidas, medo e constrangimento e logo os dois desaprenderam a amar.
Não vendo mais um ao outro, não sentido nas recíprocas íris o amor que ambos sabiam existir, resolveram cegar-se para a relação. Separados, um ficou com outros olhos e o outro ficou com a saudade de não mais descobrir o que sentia.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DESENHO




Sente o vento soprar o seu rosto e com esse carinho invisível abre os olhos.
Que lugar é esse?
De repente ela acordou em uma floresta, mas imaginou que estivesse sonhado. Confusa foi explorar o local.
- Oi! Tem alguém aí?
Aí aonde? Talvez atrás das folhas ou quem sabe sob uma pedra amarela... não, aparentemente não havia ninguém por lá.
Seguiu qualquer caminho e aos poucos foi percebendo que aquelas árvores eram diferentes. Eram um tanto sem contornos, como quando pintamos com lápis de cor sem fazer o traço do desenho com hidrocor preto. Você sabe como é!
As flores eram exóticas, com coloridos artificiais de cores inexistentes... um marrom que lembrava rosas e um verde meio alaranjado. Naquele mundo era tudo assim: impreciso.
No meio do caminho //se é que era meio, afinal não sabia onde era o começo e nem se estava perto do fim, mas em algum ponto de algum lugar ela sabia que estava e lá// viu um bichinho se mexendo por trás das folhas de crepom.
- Olá?
Ele olhou-a, curioso em achar que já conhecia aquele rosto // engraçado, mas vale dizer que nessa floresta os animais também eram diferentes. Os pássaros tinham as escamas furta-cor e cantavam musicas espanholas, os peixes em contrapartida viviam molhados e quando estavam felizes soltavam bolhas de sabão de dentro das lagoas. Ah! E na floresta tinha um leão com a juba de penas de pavão cor de rosa choque. Como sei disso? Foi o bichinho do qual estávamos falando que falou a menina que tinha dito olá. //
- Oi.
Respondeu depois de ver, olhar e reconhecer aquelas bochechas sardentas.
Ela também viu, olhou, mas não reconheceu aquela coisa rechonchuda com espinhos de plástico que parecia um porco espinho, mas que lembrava mais um tatau.
Um tatau? É. Não sabemos bem o que é um tatau, mas ela achou que o nome combinava com aquela coisa e assim resolveu chamá-lo. Fazer o que?
Levando-a para passear, agora por um caminho certo //se é que o outro estava errado// contou a ela aquilo que te falei sobre os moradores da floresta e além falou também do sol que insistia em ser lilás e da lua que vivia de regime para não encher e //novamente de repente// ela agora viu que o caminho levava a uma casa.
Assim... casa, casa, não era! Na verdade era árvore, mas o tronco tinha maçaneta, logo, porta, sala, janelas, quarto e tudo isso junto é casa, não é? E sem saber como //e nem eu sei e com certeza você também não// ela achou que a casa era dela. E não é que era! Afinal na estante tinham um porta-retrato com sua foto ao lado dos seus livros favoritos e também um origami de papel que tinha feito um dia desses na escola.
No quarto não tinha nada, apenas um espelho e pendurado nele uma fita vermelha de cetim. Indo – de va gar – com medo que o espelho falasse //afinal depois de peixes escamosos e de um tatau esquisito tudo era possível// viu a sua imagem refletida naquele nada.
Seu vestido era o mesmo de antes, um branco, com flores bordadas, que adorava usar quando ia à praia. Seus cabelos estavam horríveis, despenteados, pareciam mais uma labareda raivosa. Talvez a fita estivesse ali para isso: arrumar aquela confusão espacial.
Passando as mãos delicadamente por seus fios de cobre, ela lançou a fita ao redor deles e com um belo laço desajeitado melhorou a aparência daquelas ondas revoltas.
Engraçado... ela olhava para o espelho e se via sem contornos como tudo ao seu redor, mas quando olhava diretamente para si mesma, suas mãos, braços, pernas e pés, tinham a marca do hidrocor.
Mas... //mais uma vez// de repente escutou um grito e sem saber o que fazer procurou o tatau.
- Corre!!!
Correr? Como assim? Até dois segundos atrás havia uma paz naquela aparência de existir, agora algo gritava como se fosse dentro de si, para buscar algo de si...
- Corre!!!
- Pra onde?
Gritou sozinha na sua sala de madeira oca e sem obter resposta ela correu............................................................................................................................... Correu em meio à perfeição daqueles desenhos imprecisos e a medida que corria sentia a fugaz alegria de se impregnar com as cores que manchavam o seu vestido claro. O sol estava lilás, mas o calor continuava amarelo e o vento movia-se de acordo com os acordes dos passos daquela menina ;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;  Ela não mais corria ;;;;;;; Ela dançava ao ritmo das bolhas dos peixes *************** rodopiava tocando as pétalas das fadas e ao chegar no fim encontrou um mar de borboletas azuis que brilhavam como um coração apaixonado.   Era lindo... seus olhos amendoados sorriam ao ver tamanha irrealidade e para não desacretidar fechou-os para lançar-se naquele mar de asas tortuosas que encobriam um abismo.  E //de repente// por fim...                                                                    Acordou.








# Para uma jovem menina que ao sonhar com uma floresta ficou amiga de um porco espinho e pediu-me que escrevesse tal vida... Talvez a menina chame-se Alice ou quem sabe Sofia... Se ta bom não sei, mas, de repente, no fim, gostei tanto que resolvi postá-lo aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Recordação

Lembra de nossos corpos juntos.
Lembra de nosso suor misturado que exala o prazer que somos um para o outro.
Lembra também de nosso beijo. Há o que falar do nosso beijo? Não. Nossas línguas não falam, elas apenas embalam a saudade de nossas bocas.
Lembra um pouco mais dos nossos cabelos misturados, que me dão a sensação de não saber onde começo, onde começas, onde terminamos. Lembra ainda de nossos risos. Risos maliciosos ludibriados pela luxúria.
Lembra dos meus sinais. Teu caminho em meu mundo é traçado por eles. Lembra?
Lembra do meu cheiro. Cheiro definidamente indefinido... Cheiro de dália, cheiro de bebê, cheiro de amante... O cheiro do meu amor para ti.
Lembra, enfim, de mim.
Lembraste?
Agora me procura e todas essas lembranças tornarão a ser realidades. Eternidades.
Afinal, não agüento mais a saudade que sinto de ti.

Alucinação

Meus sentimentos são coisas tão vulneráveis que às vezes me decepciono comigo mesma.
Criatura! Fica quieta! Pára de insistir...
Mas sou meia surda e não ligo muito para os conselhos do meu demônio.
Olha... Hoje comecei a ler um livro que ta me apaixonando, os dias estão quentes e o meu bonsai tem uma romã.
É primavera... Te amo.
Algumas emoções estão desconexas e o meu raro racionalismo não me dá nenhum prêmio empírico de merecimento ao meu bom comportamento feminino.
Falei com um príncipe encantado... Ele perguntou porque to só...
Porque não querem me amar...
Talvez te falte atitude...
Não. Talvez sobre atitude.
O que queres de mim?
Antes de responder ele sumiu e meus sentimentos vulneráveis ficaram o observar uma lua de dezembro.


De hoje em diante

Vou modificar o meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama e tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

Ingrato

Eu, que tanto te amei. Que tanta prova te dei desse sentimento que me corroeu.
Eu, que te perdoei, mesmo depois de ter chorado pelas feridas que abristes em meu coração.
Eu, que me adaptei ao teu carinho temperamental, ao teu jeito animal e à indiferença de tuas mãos.
Agora vejo a fotocópia de uma lembrança, o silêncio está sem ondas e esse nada ao qual me lançaste rouba-me o descanso que eu queria dar ao meu sofrido coração.
Talvez teus olhos tenham se desencantado comigo e o que restou foi apenas esmolas de um prazer apaixonadamente indiferente.
Tiraste-me algo irrecuperável e amaste-me pouco demais.
Covarde.
Medroso.
Canalha.
Ingrato.
Eu, sozinha, agora estou aqui a chorar por não te ter mais longe de mim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FLASHBACK

Hoje vivo a reprise de um fato antigo.
Novamente meu coração dói e essa dor sufoca meu corpo.
Sinto um mundo revirado em mim.
Me sinto hermeticamente triste.
Não consigo sorrir.
Amaldiçôo essa cidade que só me trouxe mágoa.
Amaldiçôo esse homem que tanto me fez chorar.
Se esse caminho fazia parte de meu destino, mudo-o.
Agora meu destino não faz mais esse caminho e perco-me por aqui, ao acaso, no ocaso de um amor.
Se o amo?
Não. Agora não mais o amo.
Não mais o quero.
Não mais espero que um dia ele seja meu.
Hoje o rancor é grande demais e preciso urgentemente de esparadrapos, não para a minha boca, que já está condicionada a se calar, mas para o meu coração que sofre com cicatrizes reabertas e que vão demorar a sarar.

SOCORRO

Necessito urgentemente de carinho.
Algum afago na cabeça. Um olhar terno.
Necessito extremamente de mãos que me dêem um pouco que seja de proteção.
Por favor, joga-me uma corda e tira-me daqui desse poço de ilusões no qual insisto em brincar.
Se conseguires me tirar, te peço que guarde a corda, pois sei que meu coração é uma criança travessa e ao seu redor ainda há vários poços no qual tropeçar

Querido

Perdão mas não posso te amar.
É questão de precaução.
Vejo perigo em tua voz, na verdade o problema é a voz. Tão linda, melodiosa.
Por favor, na ria.
Livre-ma das amarras que são lançadas pelo teu sorriso.
Não invente-me felicidades, já me basta a clandestinidade em que vivo.
Por favor, some!
Mas some de verdade. Não me dê outra oportunidade de atrever-me a me apaixonar.
Não rouba-me essa paz ilusória na qual vivo.
Por favor, não me ame desse jeito anárquico como você me amou.
Simplesmente não ame.
Não ligue.
Apenas lembre-se de mim com carinho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Saudosismo

Olho as crianças brincando no quintal.
Tudo é tão novo - Os sorrisos, os passos mal dados deste cedo, as palavras na pré-historicidade de uma vida.
Me vejo pequena nesse mesmo quintal.
Aqui a minha infância teve cheiro de jasmim.
Adorava quando entradecia... era por volta das 5 horas que começava o espetáculo:
O pé de jasmim da minha casa incensava a rua.
Sentada na sala sentia o cheiro que vinha lá de fora.
Os vizinhos amavam, afinal morávamos numa rua perfumada.
Pena que cortaram o pé de jasmim e minha adolescência passou a ter cheiro de incensos artificiais.
Hoje a infância deles tem perfume de rosas, mas as rosas não perfumam as tardes da minha rua.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Meu olhar


O que faço com os meus olhos tristes meu senhor?
Como posso tirar deles essa melancolia que os define?
Como posso subtrair-lhes essas dúvidas que sobressaem?
Como, meu senhor, posso ter olhos alegres se a felicidade para mim é algo tão clandestino?
Como poderia viver sem ouvir o meu senhor falando da tristeza de meus olhos?
Essa menina de olhos melancólicos vive a buscar os olhos de meu senhor e ao se deparar com eles olha, com ternura, o verde abismo no qual se lança.
Se quero olhos alegres neu senhor?
Não. Não quero.
Pois se os quisesse não teria esse ar melancólico de amante à espera do amor.



sábado, 14 de novembro de 2009

Tentação

Como é que faço para me oferecer àquele sorriso autêntico?

Não quero a sua suposta ingenuidade, mas a canalhice que esbanja de seus olhos.
Em seu corpo rabiscaria um amor súbito e momentâneo.
12 horas de prazer, beijo, me liga!
Não, não...
Seria/Será (futuro do presente é mais confortável?) melhor se for 12 horas de prazer, beijo, tchau.

Acordo

Me chama do jeito que quiseres, Com o nome que preferir, no timbre que convir,
O importante é que me chames.
Me ama da forma que quiseres,
De perto ou de longe, com calma ou agonia,
O importante é que me ames.
Fala, o essencial é que eu te escute.
Beija-me, o fundamental é que eu te sinta.
Some, o interessante é que eu te busque.

Stand by me

Uma voz e um violão.
De repente uma paixão.
Olhares. Propostas. Risos.
Um fim de noite com um beijo...
O início de uma manhã com mil beijos...
O imprevisto...

[suspiro]

Quatro mãos, três horas, dois corpos e uma garganta.
Oh! Darling, Darling stand by me…
Apenas uma amante em busca de um acorde perfeito.
Um homem que já passou pelos mesmos caminhos, por olhos conhecidos...
Um passado desencontrado.
Um acaso.

[prazer]

Amor vulgar...
Sabores guardados na boca,
Um dia quente, o sol de domingo e uma garota em plena avenida com um sorriso no rosto e uma saudade na carne.
Oh! Darling, Darling stand by me…
Em outras palavras: apaixonei.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reencontros

Há quantos anos que não nos vemos?
4? 5? 6 anos?
Como vocês estão?
Que bom que bem.
Mudaram?
Eu mudei.
É, sei que dá pra notar.
Certas coisas estão idênticas...
As mesmas brincadeiras, as mesmas caras, olhares e atitudes...
Então vamos surpreender!!!!
Minha cara até pode ser a mesma... ainda é?
Mas minhas brincadeiras não, muito menos minhas atitudes...
Oh!!! – espanto.
Alguns olhos estavam assim...
Quem é você???
Você realmente estudou com a gente?
Cadê aquela menina?
Se perdeu num cenário antigo.
As pessoas mudam...
E de repente a surpresa não sou só eu.
Mudanças físicas, emocionais e atitudinais...
Eu louca?
Não, não.
Eu “eu”... apenas, nada mais.
E você?
Simplesmente me surpreendeu.
Quem diria... eu nunca diria... afinal aprendi a não dizer certas coisas das pessoas.
Certos reencontros são fantásticos.
É neles que vemos como os outros mudam...
É neles que vemos como nós mudamos.
Reencontrar vocês foi assim.
Surpreendente e previsível.

sábado, 31 de outubro de 2009

Teu Retrato

Teu retrato me fita...
Nele teus olhos estão fixos em mim...
Dá pra sentir teu cheiro...
A superfície de tua pele...
Tua barba...
Teu retrato me lembra os detalhes que me deixas esquecer.
Olho tua boca e sinto-a em meus lábios... relembro aqueles beijos macios.
Olho teu pescoço e relembro o sabor de teu suor que escorre pra matar a minha sede...
Tua orelha, que mordo.
Teus cabelos, que puxo.
Teu nariz, que me cheira.
Tuas mãos, que me acariciam.
Teu retrato.
Pena que é estático... não gosto de paisagens como alguns, mas de movimentos.
Gosto da dança.
Do caos de nossos corpos em louca volúpia.
Minhas mãos percorrem o retrato como se passeassem por teu rosto amado.
Minhas mãos inquietas, saudosas e doces.
Meus olhos encontram-se com os teus – parados.
Meus olhos tristes, castanhos e curiosos.
Paisagens não me satisfazem.
Saudades me comovem...
Não quero apenas um quadro.
Quero mais que um retrato do meu amor.
Quero, simplesmente, amor!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Impulso

Meu corpo às vezes sente a falta do seu...
O que faço quando isso acontecer?
Te procuro?
Ligo?
Bato na tua porta com uma mala na mão?
Meu corpo imperfeito que busca a perfeição de um toque...
Pele – mãos – pernas – bocas – olhos ...
A dança de minhas mãos pela tua superfície me dá a sensação de poder/ter.
O carinho de tuas mãos nos meus cabelos me dá a sensação de ternura...
Ternura?
Acho que a palavra não é bem essa...

O que faço pra te ter?
Me declaro?
Me jogo na frente de teu carro?
Apareço nua na porta de tua casa?
Caso?
Namoro?
O que?
O que faço pra te esquecer?
Me apaixono?
Me jogo na frente de um carro?
Apareço na festa atrás de um gato?
Caso?
Namoro?
O que?
Hã?!!!
Diz... sim ou não?
Sinto falta de suas frases monossilábicas...
Sinto falta de seus textos apaixonados...

Eu remendo meu coração com paixões vazias.
O que fazer então?
A linha, que antes era invisível, agora é marcada por cores fortes...
Meus sentimentos são um retalho...
Uma colcha de retalhos coloridos aleatóriamente...
Sinto faltas... e essas são as únicas sensações que estão me permitindo sentir.

Amor 77

Y después de hacer todo lo que hacen, se levantan, se bañan, se entalcan, se perfuman, se peinan, se visten, y así progresivamente van volviendo a ser lo que no son.                    (Julio Cortázar)




Tentei escrever algo sobre uma certa sexta, não de tarde, mas de manhã...
a inspiração não veio... talvez ela se tenha perdido por certo olhos verdes que há tempos não vejo...
mas os olhos dessa sexta não foram verdes, nem castanhos, mas um mel, com gosto de vida.

Algo...

Quero palavras...
Palavras que sozinhas expressem o que à tempos imemoráveis espero escutar.
Quero sins e nãos.
Talvez eu não quero.
Saudade já cansei.
Dia
Tarde
Amor
Linda
Boba
Ostra
Palavras velhas, nunca mais ouvidas...
Quero timbres de voz, carinhosos.
Quero carinho...
Quero uma letra, um G, um S ou qualquer outra do alfabeto que possa substituí-las.
Não quero apenas palavras, mas também sentimentos.Frases completas com sujeito, verbo e predicado...

Como você está?
Estou com saudades!
Vamos se ver?
O clima aí é bom?
Adorei as fotos.
Manda lembranças.
Não. Não quero mais frases... não quero somente palavras...
Quero atitudes.
Vem.
Liga.
Beija.
Viaja.
Ama.
Aparece.
Perdoa.
Não. Não vou esperar atitudes.
É tão difícil elas virem que vou acabar cansando...

Me manda ao menos um recado.

sábado, 24 de outubro de 2009

Desisto

Não vou mais ligar
Não vou mais tentar
Nem chamar, muito menos procurar
Não vou mais te beijar
Não vou mais te abraçar
Nem te cheirar, muito menos te amar
Não vou mais rir
Não vou mais cobrir
Nem partir, muito menos insistir
Não vou mais olhar
Não vou mais falar
Nem escutar, muito menos notar
Sem conversas
Sem brigas
Sem pazes
Sem olhares
Sem sexo
Sem contato
Sem saudade
Sem recados
Sem pedidos
Sem nada. Literalmente.
Simplesmente desisto de você.
E não vou chorar
Não vou sofrer
Nem lembrar e muito menos voltar.



# O ponto, agora, é de verdade, pelo menos por enquanto.

Tentativa

Sabe aquela frase: se você não quer tem quem queira ?!


Pois é... descobri o quanto ela é aplicável na minha realidade empírica.
Claro que quem quer não é exatamente quem eu quero, mas também não vamos ser exigentes... calma! ...
Minha carência não permite certas escolhas, quero novos corpos, quero novas vozes além daquela doce que só ouso por telefone, ou daquela indiferente que só escuto em festas.

Então ta... vamos tentar mudar!

Buscar novas razões, novos livros e velhas músicas.
Jogar alguns sentimentos inúteis no lixo, afinal certas coisas velhas não têm mais serventia, não vamos mais guardá-las....
Eu, boneca de montar, já perdi peças que me eram essenciais e o meu Gepeto parece que perdeu o prazer de brincar comigo.
Então, deixo de ser boneca, pronto!
Não quero mais brincar...
Não sei se deixei de te amar, mas que doeu, doeu e muito.
Por isso, que outro me ame, mesmo que sozinho,
Que outro me dê carinho, mesmo que não seja o seu,
Que outro me beije, mesmo que tenha outro gosto...
E assim, distante, talvez eu consiga tentar te esquecer.

Indiferença X Indiferença

Quer passar uma noite comigo?
Pode ser.
Uma noite inteira, sozinhos?
Talvez.
Um final de semana, que tal?
Não sei.
Eu to com saudades e você?
Tbm.
Me come!
Vou ver.
Hum... ok! Valeu!!!


Se antes era amor X indiferença, hoje é... ??? ...
Será que é isso que me falta? Será que é isso que eu amo?
Dou tanto... não só o corpo, mas também sentimentos... e em troca o que tenho?
Isso!
In-di-fe-ren-ça !!!
É... agora, de verdade, sinto uma necessidade gritante de voltar a não te amar.
Então vamos voltar a ser indiferença X indiferença.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quem é você?

Que homem é esse que parece tão óbvio, mas se mostra tão complexo à minha psicologia barata.
Talvez seja um homem de fases...
Ora carinhoso, ora bruto...
Ora me ama, ora me despreza...
Sempre me olha, mas ora o olhar é de desejo, ora de reprovação.
Quem é você?
Não quero saber quem é você.
Eu apenas quero você.
Quero um abraço espontâneo, quero um beijo de verdade, quero um carinho singelo, quero um sorriso igual o que dás às tuas “amigas”.
Não preciso de sua palavra, não preciso de declarações, não preciso das convenções que dizem que precisamos.
Preciso apenas de teu corpo, de tuas mãos raramente ternas, de teus olhos que tanto amo, do teu sorriso de menino que surge quando falo minhas besteiras.
Esse amor mutante fere meu carinho e veste em mim uma máscara para fazer de conta que sou indiferente.
Apesar da sua arrogância, da sua prepotência, do seu machismo e da sua indiferença eu ainda te amo.
Mas novamente sinto a necessidade de me afastar.
Se não temos futuro, não adianta tentar.
Quem é você?
Apenas um homem, como muitos outros, que gosta de futebol, de carro e mulher.
Um homem que já amou, sofreu, brincou e aprendeu a viver se protegendo de novas cicatrizes.
Um homem tradicional, às vezes moralista, que planeja se casar com uma mulher bonita e meiga, que cuide da casa, lhe der filhos e não se incomode com as puladas de cerca.
Isso é você?
Não sei. Sei tão pouco, sei apenas o que me falam, sei apenas o que vejo, mas nem sempre as aparências correspondem.
Então quem sou eu?
Quem é você?
Para mim... Apenas para mim, sem opiniões alheias e fuxicos... Você sempre será o homem da minha vida e dessa cidade, um dia, restará somente à lembrança de nossos corpos fazendo amor por aquelas ruas escuras.

Domingo


Almoço de família.
FA – MÍ – LIA
E eu estava lá.
Fazendo o que?
Não sei... Até sei, mas não “posso” assumir.
Ser convidada foi ótimo, estar lá foi péssimo, mas a cara de surpresa dele foi magnífica.
De repente : família.
No meio dos pais, avós, primos, com um sorriso no rosto e uma cara de pau inigualável, lá estava Eu.
O desconcerto do outro foi maior do que o meu e a sensação de que todos ali me aceitavam mais do que ele foi reconfortante.
Quem estava no bar? EU.
Quem estava no churrasco? EU.
Quem estava na festa? EU.
Quem estava se divertindo? EU.
E ele?
Lá... Longe.
Em outro bar, em casa dormindo, sem companhia para a festa e puto da vida comigo.
E nós como ficamos?
NADA.
Não o nada de sempre, mas um nada com certo ressentimento. Um nada cruel até certo ponto...
Os olhares não eram de “te quero”, mas de “o que é que você tá fazendo aqui?”
O que é que eu estava fazendo lá?
Boa pergunta!
Tentando me aproximar, agradar, ser doce (mesmo não parecendo)...
Buscando atenção, um abraço, um beijo, um “que bom que você ta aqui”...
Mas não consegui nada disso.
De certo modo fui mais além, consegui amigos, risos, tardes animadas, conversas, atenção, carinho.
Minha impulsividade quase sempre (porque sempre mesmo é mentira) me trouxe ele, mas dessa vez fiquei só. 
Às vezes invadir o terreno do outro é uma maneira de mostrar que estamos lá... mas, de verdade? Eu ainda queria ele e o fato de não tê-lo esse fim de semana por conta de algumas das minhas atitudes impulsivas me deixou mais carente e solitáia...
Ai!!! Preciso de férias de certos sentimentos.

PAISAGEM


Vejo ruínas... Ao lado delas uma senhora... Serão ruínas de seu passado?
Vejo árvores... Um caminho de folhas verdes... De repente um ipê roxo... Verdes... Agora um amarelo... Mas porque tantas folhas?
Vi o vento numa placa... Vi a placa de um vento... Placas às vezes indicam caminhos... Talvez seja o caminho de suspiros da terra que fazem meu cabelo esvoaçar...
Viajo sem a minha paciência, talvez ela tenha se perdido em algumas das gavetas que desarrumei para fazer uma mala.
Seco meu rosto molhado por lágrimas... Pingos de um sofrimento... Às vezes parece que é inútil fugir, mas confesso que as fugas ajudam...
Os desencantos clareiam certas vontades...
Porque essa tristeza?
Por achar que hoje não vale à pena rir, também não valha mais a pena ir e talvez nem tenha mais valor o ficar a te esperar.





quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Certo descaso

Silencio a minha dor em prol de um sorriso falso e um beijo carinhoso.


Meu telefone nunca toca e hoje tocou 6 vezes... Foram 6 momentos de profunda aflição até o instante de tirar o telefone da bolsa, olhar o visor e ver que não era ele.

Como sempre, por mais realista que eu seja, por mais acostumada que eu esteja, sempre caio na besteira de acreditar que ele vem de primeira.

Será que não percebo que são inúmeros desencontros para conseguir uma mísera tarde de amor que compensa toda a minha vida?

Pelo menos hoje doeu menos do que ontem, talvez porque meus sentimentos já estejam calejados com esse descaso que tanto me aprisiona.

Consolo

Que lágrimas são essas queridas?


Não adianta chorar pelo leite derramado, principalmente quando tu mesma derramaste.

Se ele se foi, deixa-o partir. Não adianta prendê-lo, pois teus braços já estão cansados e sem forças.

Vai, toma esse lenço.

Ta passando?

Vai passar, uma hora sempre passa, nem que seja por um instante.

Ei! Você é linda sabia?!

Diversos homens enfrentariam dragões e bruxas invejosas por você.

Então, deixe-o ir.

Vocês precisam. O ar está deveras carregado e seus perfumes apagam-se por conta dessa tempestade em um copo d’água que ambos insistem em fazer.

Pára, não chora.

Não lamente esses anos felizes, não diga que perdeu tempo e não ouse duvidar de suas lembranças.

Não. Não foi o amor que acabou, pelo contrário, é ele quem está aí a te fazer sofrer.

Mas as opiniões divergem, a amizade tirou férias e a confiança foi parar em algum canto que é desconhecido.

Não fique com raiva, também não é pra tanto.

Guarda em teu peito os melhores momentos, enxuga esses olhos e vive.

A única coisa que posso fazer por ti é dar-te a minha companhia, minhas palavras e meu carinho, assim como sempre fazes, também, por mim.




# Se às vezes falo verdades dolorosas é porque nossa sinceridade permite, mas de verdade acho que, por enquanto, já deu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Desvelo

Pega-me pela mão e leva-me a tua alcova, quando lá chegarmos arranca-me a roupa, joga-me na cama e beija-me na boca.
Não! Não precisas dizer nada, pois agora já não quero nada além do movimento de nossos corpos ritmicamente embalados pelo silêncio imemorável de nossos olhos que desistiram de falar.
Ai amor!
Estendida em teu leito está a minha carne dividida em sete pedaços de prazer que se integram em busca de uma satisfação antiga.
À meia-luz nossos pêlos se entrelaçam, cabelos, pálpebras...
e a dualidade de nossos seres se funde em uma única espécie de transcendência que se comunica através do ranger de nossos dentes que instigam o pulsar frenético de artérias e a explosão de gemidos que são sugados por nossas línguas dançantes.
Agora há apenas uma pele,
há apenas uma boca,
apenas um membro
e finalmente um único prazer, refinado e úmido após o canibalismo de uma saudade surreal.
Olho-te então e vejo, além de teus verdes olhos amáveis, o sentimento que tanta falta me faz.
Mas agora já não é preferível pensar.
Encosto minha cabeça em teu peito e sinto dolorosamente o aroma de nosso pecado.
A meia-luz vai progressivamente tornando-se inteira e a transcendência una se fragmenta completando esse eterno retorno a um mundo miseravelmente real.
Vestimo-nos, olhamo-nos e finalmente nossos olhares decidem falar.
Falam de despedidas, acenam um ao outro, com lenços ao vento que transportam os perfumes exalados dessas mãos almiscaradas de velhas solidões.

DUETO

Deitada vejo o acaso passando por meus olhos.
Se antes éramos sonhos, o que somos hoje então?
Porque não amas a mim? Tão imperfeita e vulgar? Tão doce e compreensiva?
Porque não amas essa carne miseravelmente servil ao teu toque?
Porque não amas estes cabelos inconstantes? Cacheados, vermelhos, lisos, louros, ondulados, negros, longos, sempre longos?
A cada hora que passa, lá vai minha vida também passando e vejo que no céu vem uma andorinha e atrás dela, novamente, já vem o verão e percebo, meio que do nada, que no mínimo sou duas.
Parte de mim é uma permissiva cortesã de teus lábios. Mulher de afirmativas, de olhos pintados e sorriso subversivo.
Outra parte é uma compreensiva amante de teu cheiro, que se subtrai por um olhar de desejo ou qualquer frase daquelas prontas para me aprisionar na obrigação de amá-lo numa monstruosa incoerência.
Mas para quê preciso de coerências se me impuseste tão forte amor e acabaste de me esquecer?
Para que preciso de coerências se no mínimo sou uma incoerente por vos amar?
Para quê preciso de coerências se elas em nada vão me ajudar?
Sei apenas que preciso de ti...
Com teus olhos capciosos e tua boca plurivalente,
Com tua submissão ditatorial e teus cabelos cacheados,
Com teu sarcasmo e teu carinho,
Com teu gosto e tua voz,
Sei que preciso apenas de vocês, que no mínimo, também são dois.

sábado, 26 de setembro de 2009

Cara nova!

Até que enfim o meu blog tá com a minha cara!
Não foi graças a mim, mas a minha amiga linda Gisa que me acordou no meio da noite e me deu esse presente.
Agora não tá mais azul, afinal ele tava por acaso.
Agora ele tá assim, do jeitinho que eu queria, do jeitinho que eu escrevo, deitada, na cama, pensando nas incoêrencias dos meus amores.
Agora ele tá mais eu do que nunca...
e com datas e sem o undefined insistente que tanto me incomodava.
Entre, acomode-se e deleite-se no meu novo cenário.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Por causa de um pedido

Que intimidade é essa que surge de repente ultrapassando muralhas de nada?
Se antes havia infinitas convenções entre pessoas tão íntimas, hoje, não mais que de repente, agimos como "namorados", talvez.
Foi uma coisa tão boba, mas tão boba que muitos podem dizer que é uma situação normal entre amigos, mas não somos amigos. A última coisa que existe na nossa relação, se é que existe alguma coisa e se é que existe relação, é amizade.
Tudo isso pra mim é inesperado...
Foi surpresa, incoerência e falta de noção (dele claro), tudo de uma vez só.
Um simples pedido, que era pra ser um favor, beteu em mim como uma ordem: você pode comprar pra mim. Eu quero assim, assim e assado. O tamanho você sabe né?! O estilo daquele que eu gosto, mas confio no seu gosto. Desde já obrigado.
Pronto! Ponto. Hã?!?!???
Oi? Como assim????
É! Simples assim.
Mesmo depois de 5 anos somos estranhos, já disse isso em algum momento, mas essa intimidade dele para comigo mexeu com inúmeras concepções, interpretações ou sei lá o que que eu pensava de nós.
E desde quando existe nós?
Desde 5 anos atrás?
Desde a primeira vez que fizemos amor?
Desde a primeira vez que nos separamos?
Ou desde hoje?
Sei lá pow!!!!
Pára o mundo que eu quero descer, não tô entendendo mais nada... tá tudo meio assim... de cabeça pra baixo.
Passagem de ônibus para o interior - 11 reais.
Um cueca box preta - 20 reais.
Um presente de aniversário -  100 reais.
A minha cara de Amélia - Não tem preço!
Pois é.


Ah!!! E eu vou comprar o que ele me pediu, claro, óbvio e evidente, afinal, se Amélia que é mulher de verdade, viva as incoerências do amor!!!

domingo, 20 de setembro de 2009

Azul com demasia

Meus rabiscos estão demasiadamente azuis, não um azul celeste, como os dias de sol que começam a fazer, mas algo meio cinza, puxando para um esboço um tanto undefined/indefinido...
De repente sinto a necessidade de esquecê-lo. É como se agora viesse aquela oportunidade, aquela tão esperada oportunidade de me afastar dele.
Não lembro a última vez que nos falamos,
Não lembro a última vez que nos vimos,
Não lembro a última vez que nos amamos.
Como assim?
Como assim que minhas lembranças, como crianças medrosas, se escondem em armários sem me deixar pistas pra achá-las.
Tá tudo tão azul na minha vida que essa calmaria inescrutável destempera os meus dias fixando-os em obrigações acadêmicas.
Faz tempo que não ligo,
Faz tempo que não escrevo,
Faz tempo que não procuro...
e aquela ausência que enlouquecia meu coração passa a ser tão íntima que chega e se acomoda em algum cantinho de mim sem fazer grandes alardes passionais.
Escrevo e penso se há alguém que possa me dar o que ele me dá, ou não dá, sei lá depende do que eu quero. Mas na verdade, mesmo, nem sei o que quero, só sei que ele é fundamental.
Fundamental como?
Fundamental assim, meio wave, um amor inexplicável, feito de detalhes.
Se penso só no conjunto penso logo como é que amo esse cara?
Mas o todo despedaçado me fascina...
O cheiro, o cabelo, o beijo, os olhos...
A barba, a boca, a voz, as palavras...
Todos os detalhes, todas as partes desse homem são demasiadamente perfeitas para mim.
Então, como tirá-lo da minha vida?
É que a ausência tá tão ausente que involuntariamente se torna vazio.
Droga!!!
Eu não quero parar de te amar asim, de repente, andando no meio da rua e deixando o meu amor perdido em qualquer calçada suja.
Não quero um amor triste, não acredito num fim sem despedidas, não consigo entender o teu descaço.
Tento esquecer que te amo, mas sei que não posso.
Tento não dizer que te amo, mas meus esparadrapos estão caindo.
Tento, tento, tento
e vou vivendo assim, de tentativas e tentações, fazendo de meus dias azuis parte de minha vida "colorida",
e vou vivendo assim, em peças rodrigueanas de papéis escondidos que fogem de felicidades platônicas,
e vou vivendo assim . . . . . . . . . . . .. . . . . . .. . . . . . . . . . . . sem você.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Novamente saudade

Vários momentos de minha vida são marcados por ausências que insistem em não se apagar.
Não adianta tentar colorir com lápis de cor, se me faltam as cores que são primárias à minha felicidade.
A tentativa de preencher o vazio é irrelevante perto da lembrança de certos olhos.
O vento passa e traz preso em si o perfume de uma pele amada...
O silêncio ecoa o riso que é recordado com ternura...
Mas de repente surge, novamente, um sentimento de falta que provoca medo.
Acabou?
Olho-o e vejo-o tão longe.
Sinto que não possuo mais a certeza de que vou viver a sua espera.
Esse silêncio cinza atordoa o meu amor... 
Cadê nossas vozes que não se entrelaçam?
Onde foram nossos corpos que transpiravam juntos?
Acabou?
Não! Não pode acabar...
Ainda há beijos a serem dados. Tenho tantos guardados em meus lábios.
Ainda há amor para ser feito. Meu corpo está repleto de um amor insaciável.
Ainda há poemas a serem escritos. Pela minha e pela tua mão, juntas.
Acabou?
Não. Por favor, diz que não!
Amo-te tanto meu amado que não consigo imaginar a minha vida sem a presença de tua ausência, sem a espera de um encontro, sem a possível sexta onde possámos matar a vontade de meu corpo no prazer do teu.
Acabou?
Não! Ainda não.
Pois apesar da distância, do tempo e da saudade sei que apenas começou.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

LEMBRANÇAS DE UMA SEXTA-FEIRA


Lembro, como se fosse ontem, talvez tenha sido, anteontem quem sabe, nossa primeira vez.
Foi meio assim, estranha, afinal estranhos éramos um para o outro.
A segunda foi melhor, o estranhamento menor e a intimidade aumentou.
Não lembro exatamente a terceira, nem a quarta, a quinta piorou, a sexta eu sei que era de tarde, de vez em quando, no quem sabe se a gente vai se ver.
Mas sei que depois da segunda, todas, terças, quartas, quintas foram tardes inacreditáveis, no entanto a sexta, mesmo depois do sábado, ainda era aquela feita para o amor.
Que pena, hoje as sextas se perderam...
Eu tenho aula, você dá aula e ficamos sem dia, e estamos sem tarde, há semanas incontáveis, nunca mais fizemos amor.
Que tal então  mudarmos o nosso calendário?

Rascunhos

Como são patéticas algunas cartas de amor do passado.
Reencontro-as dentro de velhos cadernos e leio sobre sentimentos que não acredito que senti, principalmente pelas pessoas a quem enderecei.
Essa mania de fazer rascunhos não me deixa esquecer o que escrevo para os outros... tá tudo lá, feito e refeito em várias páginas perdidas em vários lugares como se fosse uma forma inconsciente de reencontrá-las mais tarde - como agora - e relembrar esses sentimentos que passaram por meu coração.
Algumas coisas são tão bonitas que não acredito que fui eu que escrevi, senti e amei aquelas pessoas das quais nem me lembro o timbre da voz.
Pessoas que só me marcam por um instante e logo saem de dentro de mim para marcar as anotações de outras pessoas que também fazem rascunhos.

sábado, 29 de agosto de 2009

Me explicando

Agora é tudo azul...
A cor é por acaso, não coloquei o template que queria e esse me apareceu do nada... então que se estabeleça por completo.
Mas vieram alguns erros:
esse undefined undefined que insiste em aparecer no início dos meus textos não fui eu quem coloquei... surgiu do nada como o azul
e se é pra ficar indefinida, também minhas datas vão ficar no momento, por que não sei como colocá-las.
agora indefinida por completo!
(rsrsrsrsr)
=)

Por acaso...

Por acaso achei esse texto de Jabor no blog dele e não resisti em copiá-lo para o meu, afinal, com seus conceitos rodrigueanos, ele melhor do que ninguém pra falar da mulher...

O mundo de hoje é travesti

Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim.

Sou uma besta, todos o sabem; mas, não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre.

Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro.

Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas.

O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas.

O homem por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um "ponto g" da alma.

Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada.

Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem. Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado.

A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim. Como no homossexualismo: a lésbica não é viado.

A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que a mulher seja do bem e o homem do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo "me come todinha". Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe.

O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um "living" bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí , dança...

A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice.

Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher.

As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo travesti. O mundo hoje é travesti.

Arnaldo Jabor

Aviso

Fico feliz quando minhas palavras transmitem sentimentos, mas nem todos os textos aqui postados têm destinatários diretos.
Alguns são para algumas pessoas em ocasiões especiais, os outros ( a maioria, na verdade )são sobre mim e meus amores ausentes.
Não posso negar que todas as frases têm dono, claro que uma ou outra é ao acaso e que algumas nem minhas são, mas nenhuma é em vão e como Quintana sugeriu, aprendi a usar dedicatórias para marcar o sentimento do que escrevo e é a partir delas que expresso os donos de meus carinhos escritos.
Se se encontram em minhas palavras fico feliz, agradecida e orgulhosa... mas saibam que quando elas vêm desacompanhadas de dedicatórias é porque são minhas e não para ninguém além de dois.
Se algo que escrevo sobre mim se encaixa na vida de alguém não sei até que ponto essa sensibilidade é minha ou do outro, mas independente de quem seja não quero machucar ninguém com frases que escrevi sobre mim mesma, afinal se meus textos são tão claros porque interpretações distorcidas de algo tão evidente?
Não tenho a pretensão de falar de ninguém, mal consigo falar de mim... mas às vezes algumas inspirações surgem sem querer e acabo dedicando certas palavras a alguns amigos.
Pra quê tudo isso?
ÂH???
Pra dizer que falo de mim e não de você e me doeu imaginar que passou pela sua cabeça que eu estava "cansada" de tua história e não aguentava te escutar. Mas a vida é rodrigueana e esses acasos acabam acontecendo sem devidas explicações. Não quis te dizer o que você achou que era pra você, aquilo era apenas um desabafo particular. Desculpa se te machuquei com palavfras que não eram pra vcoê.

Vontade I / Puro impulso

No fundo somos incompatíveis, mas o que fazer se não consigo te ver somente com olhos? também minhas mãos precisam perceber os detalhes de meu desejo.


+

Locais proibidos excitam a emoção do encontro.
O beijo apressado, o carinho sem tempo e um amor inacabado envolto pela luxúria de dois corpos carentes de amor.


+

Receber um "te adoro" com gostinho de "te amo" também faz bem ao ego.
Traz um sabor doce de satisfação. Exótico que nem Damasco... gostoso e estranho.


=

Agora junte tudo e imagine duas horas de prazer!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Una carta de amor


Una carta de amor
Todo lo que de vos quisiera
es tan poco en el fondo
porque en el fondo es todo

como un perro que pasa, una colina,
esas cosas de nada, cotidianas,
espiga y cabellera y dos terrones,
el olor de tu cuerpo,
lo que decís de cualquier cosa,
conmigo o contra mía,

todo eso es tan poco
yo lo quiero de vos porque te quiero.

Que mires más allá de mí,
que me ames con violenta prescindencia
del mañana, que el grito
de tu entrega se estrelle
en la cara de un jefe de oficina,

y que el placer que juntos inventamos
sea otro signo de la libertad.

Júlio Cortázar

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

RECADO I

Sinto falta de alguns carinhos escritos, que antes me chegavam de surpresa.
Nunca mais vi você.
Nunca mais li seu beijo e essa ausência ortográfica me faz querer-te ver em palavras, como aquelas que tenho guardadas no passado.
A saudade de teu corpo é ampliada pela falta de teus textos, afinal, antes de te amar, amei os recados que fizestes para me conquistar.
Preciso de palavras que me afaguem como quando tua mão acaricia o meu rosto.
Preciso de palavras que me suguem como quando tua boca toca minha pele.
Preciso de palavras sem tempo como quando o tempo some por cima de nossos corpos.
Preciso de você para sentir-me sem palavras, sem fôlego, pois além de amar-te verbalmente, é a presença de teu cheiro que mais me comove.
Escreva logo, eu preciso, saudades.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Meu carinho para os ursinhos


As aulas recomeçam...
Ai que saco!!!
Minha cama tava tão gostosa, mas me levantei a contragosto.
Banho gelado, café quente e nenhum pingo de coragem para enfrentar um ônibus lotado.
Passos displicentes, fone no ouvido e de repente uma chuva inesperada.
Ninguém merece...
Fico meia molhada e toda chateada, até que no céu, cinza, todo desbotado pela água, vejo um arco-íris.
Tá... é infantil e meio clichê, mas acho um arco-íris uma coisa encantadora.
Bem que podia mesmo ter um pote de ouro no fim dele né?! Com certeza eu iria buscá-lo.
Arco-íris me lembra os ursinhos carinhosos...
Assisti àquilo durante toda a minha vida, tinha até os bichinhos, eram tão lindos, mas só me lembro o nome de um: Coração.
Hoje não passam mais os ursinhos carinhosos na TV, com certeza Clarinha iria gostar, vou então procurar o DVD, assim ela conhece e eu relembro o nome dos outros.
Ah! e as aulas?
Quero férias!!!


OBS. A imagem, coloco para agradecer o comentário... Não esperava as letras dessa moça que me ler escondida e que só comenta o que gosta pessoalmente, mas agora vem a distância e quero teus comentários mesmo que escritos...

ÃH?!!!

Alguém roubou a minha voz.
Em certos momentos o meu silencio é tão grande que cansa escutar os outros.
Eu grito silenciosamente, talvez por isso ninguém me ouça, ou quando alguém ouve olha de lado e pergunta: Quem é essa louca?
Ãh?! Louca, eu?! Quem me dera...
Minha insanidade é tão sensata que sei exatamente o porque de todos os meus atos.
Faço porque quero.
Faço como quero.
E me incomodam algumas opniões que não foram pedidas.
Palpites e "eu acho's" nem sempre são importantes para mim, mesmo quando são de amigos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Às vezes duas horas de prazer valem mais que uma noite de amor.
Como posso expressar um suspiro?
... ... ... ...
Quem sabe no meio das minhas costumeiras reticências meu suspiro de satisfação apareça. Expresso assim, talvez, também ele expresse o vazio dessa "satisfação".
Não consegui o que queria, mas tive parte do meu desejo saciado e volto , novamente, para o antes, permanecendo nesse estúpido perigo como uma mosca embriagada de veneno.
Não ouso me questionar se valem a pena esses meus caprichos pueris - ultimamente meu nome tá sendo capricho - mas quando reforço-os com essa impulsividade descarada que tenho, me torno cada vez mais decidida a não deixar as coisas passarem sem roubar-lhes um pouco de suas essências.
Se não vejo resultados mudando meus cabelos, permito-me agora mudar de ideia e transformo alguns sentimentos profundos em puros pedaços do meu querer, para, quem sabe, mascarar de mim mesma possíveis sofrimentos.
Têm pessoas que não valem a pena serem amadas, apenas saboreadas em pequenos espaços de tempo, com em duas horas por exemplo.
Reduzo assim o meu amor a um amado e deixo-o guardado em minha caixinha vermelha até que eu melhore desses machucados de ontem e retorne a procurá-lo disposta a sofrer apenas por ele, afinal, apesar de todos, é ele quem amo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O que você faria?

Pensei em te reconquistar de um jeito que sempre sonhou.
Lembra do sobretudo?
Aquele que te deixava louco?
Pois é...
Pensei em usá-lo pra você.
Como?
Assim... imagina só...
Você de noite, sozinho em casa e eu te ligo pedindo pra conversar.
Eu sei que tu iria pensar logo que seria outra DR, que dessa vez, talvez, eu falasse dessas outras, mas que mesmo se fosse pra isso você iria me esperar para escutar todas as minhas besteiras.
Mas vai dizer que não iria ficar ansioso me esperando?
Deitado no sofá, imaginando qual seria a reclamação da vez?
A companhia toca e você pensaria aliviado - Ela chegou - e iria "normalmente" abrir a porta para mim e eu estaria ali, com o meu sobretudo rosa, de meias pretas e maquiada e antes que pensasse alguma coisa eu abriria o sobretudo e te mostraria aquela langerie que você sempre me pediu... preta, de renda... com aquele perfume que você adora... doce... e te diria simplesmente: volta pra mim.
E aí?
O que você faria?
Não sei e é justamente por não saber que me questiono se devo ou não fazer.
Não tenho coragem para todo esse teatro, você sabe, tenho vergonha, mesmo depois de 3anos tenho vergonha.
De quê?
Sei lá...
E se for vulgar?
E se você de falar um Não?
E se se rir na minha cara?
E se só voltar pra mim por essa noite?
E se.. e se.. e se...
Os "SEs" só aumentam o meu medo de te buscar.
De repente estendo a mão e vejo que você não tá mais tão perto como antes e isso dói, pois apesar de tudo - brigas, besteiras e lágrimas - EU TE AMO.
(...)



Tá! Não sei mais como continuar.
talvez você posa me ajudar, afinal a história é sua, só a ideia é minha.
Penso que um recomeço inusitado poderia iniciar um capítulo interessante.
Custa tentar? Acho que não.
E então, o que VOCÊ vai fazer?
Independente da sua escolha, saiba que eu estou aqui, como sempre.