Sente o vento soprar o seu rosto e com esse carinho invisível abre os olhos.
Que lugar é esse?
De repente ela acordou em uma floresta, mas imaginou que estivesse sonhado. Confusa foi explorar o local.
- Oi! Tem alguém aí?
Aí aonde? Talvez atrás das folhas ou quem sabe sob uma pedra amarela... não, aparentemente não havia ninguém por lá.
Seguiu qualquer caminho e aos poucos foi percebendo que aquelas árvores eram diferentes. Eram um tanto sem contornos, como quando pintamos com lápis de cor sem fazer o traço do desenho com hidrocor preto. Você sabe como é!
As flores eram exóticas, com coloridos artificiais de cores inexistentes... um marrom que lembrava rosas e um verde meio alaranjado. Naquele mundo era tudo assim: impreciso.
No meio do caminho //se é que era meio, afinal não sabia onde era o começo e nem se estava perto do fim, mas em algum ponto de algum lugar ela sabia que estava e lá// viu um bichinho se mexendo por trás das folhas de crepom.
- Olá?
Ele olhou-a, curioso em achar que já conhecia aquele rosto // engraçado, mas vale dizer que nessa floresta os animais também eram diferentes. Os pássaros tinham as escamas furta-cor e cantavam musicas espanholas, os peixes em contrapartida viviam molhados e quando estavam felizes soltavam bolhas de sabão de dentro das lagoas. Ah! E na floresta tinha um leão com a juba de penas de pavão cor de rosa choque. Como sei disso? Foi o bichinho do qual estávamos falando que falou a menina que tinha dito olá. //
- Oi.
Respondeu depois de ver, olhar e reconhecer aquelas bochechas sardentas.
Ela também viu, olhou, mas não reconheceu aquela coisa rechonchuda com espinhos de plástico que parecia um porco espinho, mas que lembrava mais um tatau.
Um tatau? É. Não sabemos bem o que é um tatau, mas ela achou que o nome combinava com aquela coisa e assim resolveu chamá-lo. Fazer o que?
Levando-a para passear, agora por um caminho certo //se é que o outro estava errado// contou a ela aquilo que te falei sobre os moradores da floresta e além falou também do sol que insistia em ser lilás e da lua que vivia de regime para não encher e //novamente de repente// ela agora viu que o caminho levava a uma casa.
Assim... casa, casa, não era! Na verdade era árvore, mas o tronco tinha maçaneta, logo, porta, sala, janelas, quarto e tudo isso junto é casa, não é? E sem saber como //e nem eu sei e com certeza você também não// ela achou que a casa era dela. E não é que era! Afinal na estante tinham um porta-retrato com sua foto ao lado dos seus livros favoritos e também um origami de papel que tinha feito um dia desses na escola.
No quarto não tinha nada, apenas um espelho e pendurado nele uma fita vermelha de cetim. Indo – de va gar – com medo que o espelho falasse //afinal depois de peixes escamosos e de um tatau esquisito tudo era possível// viu a sua imagem refletida naquele nada.
Seu vestido era o mesmo de antes, um branco, com flores bordadas, que adorava usar quando ia à praia. Seus cabelos estavam horríveis, despenteados, pareciam mais uma labareda raivosa. Talvez a fita estivesse ali para isso: arrumar aquela confusão espacial.
Passando as mãos delicadamente por seus fios de cobre, ela lançou a fita ao redor deles e com um belo laço desajeitado melhorou a aparência daquelas ondas revoltas.
Engraçado... ela olhava para o espelho e se via sem contornos como tudo ao seu redor, mas quando olhava diretamente para si mesma, suas mãos, braços, pernas e pés, tinham a marca do hidrocor.
Mas... //mais uma vez// de repente escutou um grito e sem saber o que fazer procurou o tatau.
- Corre!!!
Correr? Como assim? Até dois segundos atrás havia uma paz naquela aparência de existir, agora algo gritava como se fosse dentro de si, para buscar algo de si...
- Corre!!!
- Pra onde?
Gritou sozinha na sua sala de madeira oca e sem obter resposta ela correu............................................................................................................................... Correu em meio à perfeição daqueles desenhos imprecisos e a medida que corria sentia a fugaz alegria de se impregnar com as cores que manchavam o seu vestido claro. O sol estava lilás, mas o calor continuava amarelo e o vento movia-se de acordo com os acordes dos passos daquela menina ;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;; Ela não mais corria ;;;;;;; Ela dançava ao ritmo das bolhas dos peixes *************** rodopiava tocando as pétalas das fadas e ao chegar no fim encontrou um mar de borboletas azuis que brilhavam como um coração apaixonado. Era lindo... seus olhos amendoados sorriam ao ver tamanha irrealidade e para não desacretidar fechou-os para lançar-se naquele mar de asas tortuosas que encobriam um abismo. E //de repente// por fim... Acordou.