Vários momentos de minha vida são marcados por ausências que insistem em não se apagar.
Não adianta tentar colorir com lápis de cor, se me faltam as cores que são primárias à minha felicidade.
A tentativa de preencher o vazio é irrelevante perto da lembrança de certos olhos.
O vento passa e traz preso em si o perfume de uma pele amada...
O silêncio ecoa o riso que é recordado com ternura...
Mas de repente surge, novamente, um sentimento de falta que provoca medo.
Acabou?
Olho-o e vejo-o tão longe.
Sinto que não possuo mais a certeza de que vou viver a sua espera.
Esse silêncio cinza atordoa o meu amor...
Cadê nossas vozes que não se entrelaçam?
Onde foram nossos corpos que transpiravam juntos?
Acabou?
Não! Não pode acabar...
Ainda há beijos a serem dados. Tenho tantos guardados em meus lábios.
Ainda há amor para ser feito. Meu corpo está repleto de um amor insaciável.
Ainda há poemas a serem escritos. Pela minha e pela tua mão, juntas.
Não. Por favor, diz que não!Acabou?
Amo-te tanto meu amado que não consigo imaginar a minha vida sem a presença de tua ausência, sem a espera de um encontro, sem a possível sexta onde possámos matar a vontade de meu corpo no prazer do teu.
Acabou?Não! Ainda não.
Pois apesar da distância, do tempo e da saudade sei que apenas começou.

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