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sábado, 12 de dezembro de 2009

Ingrato

Eu, que tanto te amei. Que tanta prova te dei desse sentimento que me corroeu.
Eu, que te perdoei, mesmo depois de ter chorado pelas feridas que abristes em meu coração.
Eu, que me adaptei ao teu carinho temperamental, ao teu jeito animal e à indiferença de tuas mãos.
Agora vejo a fotocópia de uma lembrança, o silêncio está sem ondas e esse nada ao qual me lançaste rouba-me o descanso que eu queria dar ao meu sofrido coração.
Talvez teus olhos tenham se desencantado comigo e o que restou foi apenas esmolas de um prazer apaixonadamente indiferente.
Tiraste-me algo irrecuperável e amaste-me pouco demais.
Covarde.
Medroso.
Canalha.
Ingrato.
Eu, sozinha, agora estou aqui a chorar por não te ter mais longe de mim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FLASHBACK

Hoje vivo a reprise de um fato antigo.
Novamente meu coração dói e essa dor sufoca meu corpo.
Sinto um mundo revirado em mim.
Me sinto hermeticamente triste.
Não consigo sorrir.
Amaldiçôo essa cidade que só me trouxe mágoa.
Amaldiçôo esse homem que tanto me fez chorar.
Se esse caminho fazia parte de meu destino, mudo-o.
Agora meu destino não faz mais esse caminho e perco-me por aqui, ao acaso, no ocaso de um amor.
Se o amo?
Não. Agora não mais o amo.
Não mais o quero.
Não mais espero que um dia ele seja meu.
Hoje o rancor é grande demais e preciso urgentemente de esparadrapos, não para a minha boca, que já está condicionada a se calar, mas para o meu coração que sofre com cicatrizes reabertas e que vão demorar a sarar.

SOCORRO

Necessito urgentemente de carinho.
Algum afago na cabeça. Um olhar terno.
Necessito extremamente de mãos que me dêem um pouco que seja de proteção.
Por favor, joga-me uma corda e tira-me daqui desse poço de ilusões no qual insisto em brincar.
Se conseguires me tirar, te peço que guarde a corda, pois sei que meu coração é uma criança travessa e ao seu redor ainda há vários poços no qual tropeçar

Querido

Perdão mas não posso te amar.
É questão de precaução.
Vejo perigo em tua voz, na verdade o problema é a voz. Tão linda, melodiosa.
Por favor, na ria.
Livre-ma das amarras que são lançadas pelo teu sorriso.
Não invente-me felicidades, já me basta a clandestinidade em que vivo.
Por favor, some!
Mas some de verdade. Não me dê outra oportunidade de atrever-me a me apaixonar.
Não rouba-me essa paz ilusória na qual vivo.
Por favor, não me ame desse jeito anárquico como você me amou.
Simplesmente não ame.
Não ligue.
Apenas lembre-se de mim com carinho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Saudosismo

Olho as crianças brincando no quintal.
Tudo é tão novo - Os sorrisos, os passos mal dados deste cedo, as palavras na pré-historicidade de uma vida.
Me vejo pequena nesse mesmo quintal.
Aqui a minha infância teve cheiro de jasmim.
Adorava quando entradecia... era por volta das 5 horas que começava o espetáculo:
O pé de jasmim da minha casa incensava a rua.
Sentada na sala sentia o cheiro que vinha lá de fora.
Os vizinhos amavam, afinal morávamos numa rua perfumada.
Pena que cortaram o pé de jasmim e minha adolescência passou a ter cheiro de incensos artificiais.
Hoje a infância deles tem perfume de rosas, mas as rosas não perfumam as tardes da minha rua.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Meu olhar


O que faço com os meus olhos tristes meu senhor?
Como posso tirar deles essa melancolia que os define?
Como posso subtrair-lhes essas dúvidas que sobressaem?
Como, meu senhor, posso ter olhos alegres se a felicidade para mim é algo tão clandestino?
Como poderia viver sem ouvir o meu senhor falando da tristeza de meus olhos?
Essa menina de olhos melancólicos vive a buscar os olhos de meu senhor e ao se deparar com eles olha, com ternura, o verde abismo no qual se lança.
Se quero olhos alegres neu senhor?
Não. Não quero.
Pois se os quisesse não teria esse ar melancólico de amante à espera do amor.



sábado, 14 de novembro de 2009

Tentação

Como é que faço para me oferecer àquele sorriso autêntico?

Não quero a sua suposta ingenuidade, mas a canalhice que esbanja de seus olhos.
Em seu corpo rabiscaria um amor súbito e momentâneo.
12 horas de prazer, beijo, me liga!
Não, não...
Seria/Será (futuro do presente é mais confortável?) melhor se for 12 horas de prazer, beijo, tchau.

Acordo

Me chama do jeito que quiseres, Com o nome que preferir, no timbre que convir,
O importante é que me chames.
Me ama da forma que quiseres,
De perto ou de longe, com calma ou agonia,
O importante é que me ames.
Fala, o essencial é que eu te escute.
Beija-me, o fundamental é que eu te sinta.
Some, o interessante é que eu te busque.

Stand by me

Uma voz e um violão.
De repente uma paixão.
Olhares. Propostas. Risos.
Um fim de noite com um beijo...
O início de uma manhã com mil beijos...
O imprevisto...

[suspiro]

Quatro mãos, três horas, dois corpos e uma garganta.
Oh! Darling, Darling stand by me…
Apenas uma amante em busca de um acorde perfeito.
Um homem que já passou pelos mesmos caminhos, por olhos conhecidos...
Um passado desencontrado.
Um acaso.

[prazer]

Amor vulgar...
Sabores guardados na boca,
Um dia quente, o sol de domingo e uma garota em plena avenida com um sorriso no rosto e uma saudade na carne.
Oh! Darling, Darling stand by me…
Em outras palavras: apaixonei.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Reencontros

Há quantos anos que não nos vemos?
4? 5? 6 anos?
Como vocês estão?
Que bom que bem.
Mudaram?
Eu mudei.
É, sei que dá pra notar.
Certas coisas estão idênticas...
As mesmas brincadeiras, as mesmas caras, olhares e atitudes...
Então vamos surpreender!!!!
Minha cara até pode ser a mesma... ainda é?
Mas minhas brincadeiras não, muito menos minhas atitudes...
Oh!!! – espanto.
Alguns olhos estavam assim...
Quem é você???
Você realmente estudou com a gente?
Cadê aquela menina?
Se perdeu num cenário antigo.
As pessoas mudam...
E de repente a surpresa não sou só eu.
Mudanças físicas, emocionais e atitudinais...
Eu louca?
Não, não.
Eu “eu”... apenas, nada mais.
E você?
Simplesmente me surpreendeu.
Quem diria... eu nunca diria... afinal aprendi a não dizer certas coisas das pessoas.
Certos reencontros são fantásticos.
É neles que vemos como os outros mudam...
É neles que vemos como nós mudamos.
Reencontrar vocês foi assim.
Surpreendente e previsível.

sábado, 31 de outubro de 2009

Teu Retrato

Teu retrato me fita...
Nele teus olhos estão fixos em mim...
Dá pra sentir teu cheiro...
A superfície de tua pele...
Tua barba...
Teu retrato me lembra os detalhes que me deixas esquecer.
Olho tua boca e sinto-a em meus lábios... relembro aqueles beijos macios.
Olho teu pescoço e relembro o sabor de teu suor que escorre pra matar a minha sede...
Tua orelha, que mordo.
Teus cabelos, que puxo.
Teu nariz, que me cheira.
Tuas mãos, que me acariciam.
Teu retrato.
Pena que é estático... não gosto de paisagens como alguns, mas de movimentos.
Gosto da dança.
Do caos de nossos corpos em louca volúpia.
Minhas mãos percorrem o retrato como se passeassem por teu rosto amado.
Minhas mãos inquietas, saudosas e doces.
Meus olhos encontram-se com os teus – parados.
Meus olhos tristes, castanhos e curiosos.
Paisagens não me satisfazem.
Saudades me comovem...
Não quero apenas um quadro.
Quero mais que um retrato do meu amor.
Quero, simplesmente, amor!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Impulso

Meu corpo às vezes sente a falta do seu...
O que faço quando isso acontecer?
Te procuro?
Ligo?
Bato na tua porta com uma mala na mão?
Meu corpo imperfeito que busca a perfeição de um toque...
Pele – mãos – pernas – bocas – olhos ...
A dança de minhas mãos pela tua superfície me dá a sensação de poder/ter.
O carinho de tuas mãos nos meus cabelos me dá a sensação de ternura...
Ternura?
Acho que a palavra não é bem essa...

O que faço pra te ter?
Me declaro?
Me jogo na frente de teu carro?
Apareço nua na porta de tua casa?
Caso?
Namoro?
O que?
O que faço pra te esquecer?
Me apaixono?
Me jogo na frente de um carro?
Apareço na festa atrás de um gato?
Caso?
Namoro?
O que?
Hã?!!!
Diz... sim ou não?
Sinto falta de suas frases monossilábicas...
Sinto falta de seus textos apaixonados...

Eu remendo meu coração com paixões vazias.
O que fazer então?
A linha, que antes era invisível, agora é marcada por cores fortes...
Meus sentimentos são um retalho...
Uma colcha de retalhos coloridos aleatóriamente...
Sinto faltas... e essas são as únicas sensações que estão me permitindo sentir.