Havia um sorriso que marcava a minha alma
Nele incontáveis sentimentos surgiam para que um laço se transpusesse de sua boca à minha e em meus lábios se desenhasse o contorno da alegria.
O som de tal sorriso era íntimo e vulgar... aparecia em momentos de olhares desmascarados, corpos desnudos e vontades de amar.
Tal riso era a chave de uma cadeia na qual o meu corpo repousava...
Riso subversivo, erótico e cínico de poeta e amor
Teu riso era o desenho de meu desejo
Era a vontade de meu beijo
Teu riso era nossos corpos enlaçados
Nosso imoral pecado
Nossa saudade abstrata.
Teu riso era contínuo do meu perfume
Teu riso passeava por minha pele e em cada poro lançava o transbordar de nosso resvalado prazer...
Teu riso, vindo de tua boca amada, tua boca sagrada, tua boca espanicamente doce.
Teu riso, pleonasmo de meu amor, meu porto ilusório, meu abismo complacente de um riacho quente e de uma vontade surreal.
Teu riso, um tango de Gardel, pelo qual mil cabeças eu cortava, pelo qual só para tu eu dançava uma milonga de amor.
Teu riso, eterno poeta de meu corpo, sempre estará em minha pele e nas lembranças de meu gozo... Teu riso era o meu gozo... Meu riso era meu gozo... Meu riso era você.


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