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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Às vezes

Às vezes choro calada,
às vezes sofro por nada,
às vezes digo que não o quero mais
mas sempre digo que o quero mais.
Às vezes escuto sua voz,
às vezes beijo sua boca,
às vezes sinto seu cheiro em outra roupa,
mas sempre procuro por você;
porém só às vezes a gente se vê.
Às vezes fico feliz,
às vezes sonho sozinha e só
às vezes tenho companhia para sair
mas são constantes às vezes que
passo o dia estudando
passo os dias esperando
até que ele lembra de mim.
Às vezes faço amor por vontade
até que canso e
às vezes crio coragem
e o chamo para
às vezes fazermos amor de verdade
e assim
às vezes dividirmos nossas vidas
e então às vezes me sinto querida
e outras constantes vezes me sinto esquecida
enfim me desespero com essa sutil ausência,
me machuca só às vezes ter a sua presença
e penso então em acabar.
Acabar com o amor pela metade,
acabar com a dor da saudade e com o cansaço de sempre te esperar.
acabar com a distância de tê-lo em meus braços
de só às vezes receber um abraço
de só às vezes sua boca beijar.
Acabar com os às vezes da minha vida,
acabar com essa liberdade que nos liga,
Quero acabar com essa forma parcial de amar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um livro + um quarto

O que quero da vida?
Ele, um livro e um quarto.
É muito? Acho tão pouco, ou melhor, tudo.
São coisas simples de se querer.
Esse questionamento surgiu numa conversa com Gisa, onde, pensando nos livros e os homens de nossas vidas, constatamos que apenas três coisas são necessárias para sermos felizes: Um livro, um quarto e Ele.
Não é suficiente? Perfeito!
Vou propor-lhe essa vida. Passo lá na escola, sequestro-o depois da aula e tranco-o comigo em um quarto silencioso onde escutaremos apenas a nossa voz recitando Drummond.
Claro, só podia ser Drummond e o seu "Amor natural". Tem livro mais apropriado para nosso idílio amoroso?!
Uma poesia sensual e bem feita...
Ele, um livro e um quarto
Eu, Drummond e uma cama
Nós, o Amor natural e um prazer.
E você, quem levaria e qual qual livro seria?

Os números e eu

Jurava que dia 23 era o dia 24 e assim viveria essa semana um dia adiantado, deslocada do tempo dos meus compromissos.Essa história de "o número nas nossas vidas" já é chata na universidade, mas se dar conta dessa verdade é pior ainda.
Odeio matemática!!!
No entanto tudo ao meu redor está numerado: tenho tantos anos, não sei quantos amigos, faz tantos meses que não o vejo,...
Quer saber, cansei... Sabe o poema de Quintana? O das datas! Esquece.
Voltam-se as datas... Essa história de viver fora de tempo não dá pra mim, meu tempo é tão exato que não tem como relativizá-lo.
Não tem como não contar os dias de minha vida, então vou começar a dar valor às expressões algébricas que me rodeiam, principalmente àquelas em que tenho que encontrar as icógnitas de minha vida.

Decadência

Não dão mais flores no meu jardim.
Progressivamente minhas rosas murcham e o girassol não volta em busca de calor.
O outono retorna como uma fotografia antiga... folhas secas no chão, um vento gelado e uma solidão insistente.
Olho ao redor e me faltam lembranças - Dálias, orquídeas e papoulas vermelhas.
Procuro, procuro, procuro e nada encontro além de uma singela violeta e um simples amor perfeito.O vazio se expande e a solidão grita como louca querendo suicídio...
Sinto falta dos perfumes.
Sozinha, sentada em meu jardim, fecho os olhos e espero por um coelho branco que venha apresado e me tire desse mundo decadente.
Será que ele vem?
Estou mortalmente cansada desse Eu, preciso de outro.

( Março de 2009 )

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quem diria Roberto...

A vida vai se mostrando em detalhes tão pequenos ...
A cor de uma pétala, o choro fino de um bêbe, a refrescância de uma brisa, o mar, um sorriso, a saudade.
Escutei detalhes hoje de manhã... Ônibus lotado, calor insuportável e a Fé filosófica de Jaspers.
Não curto muito/nada Roberto Carlos, pior ainda se é Bruno e Marrone que canta, mas não sei porque, adoro essa música.
Outro cabeludo em sua vida...
De repente você vai lembrar de mim...
O quase também é mais um detalhe...

Tá, não quero outro cabeludo em minha vida, mas adoro lembrar "de repente" de alguém, mas também detesto os "quases" que me perseguem...
To olhando e guardando tudo... Registrando...
O Bem vinda pequena
O olá amada
O oi mãe
Mas o mais forte é a lembrança daquela orquídea branca que devia ter sido minha.
Quero um beijo silencioso ,calmo e emocionante igual ao de Amelie Pollain.
Queria encontra-lo atrás da porta, olhar seus olhos claros e tocar-lhe os detalhes de seu rosto amado.
Me aproximaria lentamente só para sentir seu cheiro de flor do passado e beijaria sua face doce em busca de sua boca.
Fecharia meus olhos e encostaria meus lábios aos dele, sentiria sua língua, sua saliva e aclamaria a saudade abrasadora de meu desejo.
Meu coração dispararia, minhas pernas tremeriam e cada veia de meu corpo pulsaria enlouquecidamente pela emoção de beija-lo.
O mundo então pararia

domingo, 29 de março de 2009

ÓPERA!!!

ISSO É COISA QUE SE RECOMENDE?!!!

Não, não é... mas... Vale a pena! E como vale.
A atmosfera rodrigueana e o encontro de amigas marcou a noite.
Mas a radio novela de amor canino homossexual foi ótima... Ainda lembro da "cara" de Surpresa e da propaganda do Penetrou... rsrrsrsrrs... o lubrificante da família brasileira.
Mas falando a verdade... o que eu queria mesmo era aquele coelhinho, Ai meu deus!!!!
Os anjinhos!
A música!
Os corpos!
Risos - vergonhas - choques...
Uma orgia homossexual...
Tudo muito bom.

Mas o melhor mesmo é o começo... o strip tease ao avesso! Clube da mulheres TOTAl!!!

É coisa que se recomende?
não, não é...
mas...
Assistam... Com certeza vão gostar!!!

Ópera
Teatro Apolo - Recife
Sábados e domingos às 21:30
Vá ver.

sábado, 21 de março de 2009

Um olhar oriental

O clima de mistério envolvia aquela noite de solidão.
Um corpo de âmbar velava, naquele momento, o sentimento que morria e esses últimos suspiros traziam o peso de anos decorados pela paixão.
Seus olhos pequenos fotografavam cada detalhe daquela cena.
Sentada de frente à penteadeira. Perfumes... Pó de arroz... Blush... Batom vermelho... Lápis preto.
Enfeitava a si mesma com uma gueixa que se prepara para o casamento.
Mas não iria se casar. Não! Vai ficar em casa, sozinha, relendo a carta.
Aquela carta que trouxe lágrimas aos seus olhos.
Então porque se enfeitou se não vai sair?
O espelho não respondeu. Mas ele nunca responde, tem apenas o costume leviano de vigiá-la, invadindo sua intimidade e escondendo dela todos os segredos que tenta descobrir.
A carta tá molhada, suas mãos secas, o coração palpitando devagar e uma dor aguda dentro de si aumentando a sua angústia espiritual.
Desliga a luz deixando acessa apenas uma luminária chinesa. Deita na cama levando um pequeno espelho de mão e sob um reflexo vermelho repara na expressão de seus gestos tentando sofismar os sentimentos que perturbam seu coração.
Aquela dor intragável estava dentro de seus olhos queimando progressivamente as últimas gotas de sal que insistiam em sair.
O silêncio começava a se espalhar por todos os cantos. O tic-tac do relógio, o sussurro do vento, o balançar da cortina, o grilo, a buzina. De repente até a sua dor era muda e uma lacuna semiótica se pôs entre seu o rosto e o espelho.
- Qual o sentido da sua vida?
Perguntou-lhe o silente e inesperadamente todo o sigilo de seus sentimentos transbordaram por sua face branca deixando rastros luminosos pelos caminhos inabitados de sua superfície.
Aleatoriamente, buscando reordenar a cronologia de seus pensamentos, ia percebendo os objetos do seu quarto.
Guarda-roupa / janela aberta / fotos / um gatinho triste / solidão / um Buda dourado / uma florzinha de madeira...
Pedaços de passados...
Lembranças requentadas pelo seu espírito saudoso.
A carta não estava mais em suas mãos, talvez solta em algum lugar. O telefone toca quebrando a inércia de sua fotocópia e todos os sons voltam estupidamente ordenados.
Senta, olha, não vale a pena atender, agora não mais.
O bonsai tá na janela, a terra seca, uma romã caiu a outra ainda resiste, corre à cozinha e retorna com água mineral para regá-la.

sábado, 14 de março de 2009

Cleo e Daniel

Desespero. Amor. Silêncio. Delírios...
O coquetel de emoções que esse livro apresenta. Deixou-me apreensiva, angustiada e confusa...
É tudo tão surreal, tão louco e ao mesmo tempo livre... tão livre e verdadeiro.
A busca pela paz.
O encontro com deus.
AMORTE - União.
Tudo tão pesado... impossível, proibido, mas ao mesmo tempo desejado.
A ingenuidade de Cleo.
A melancolia de Daniel.
Tudo misturado, separado e belo.

" - Cleo! Cleo! Cleeeeo!
E viu o nome diante de si. Nome ofegante,com a maleta na mão. Entre o nome e ele, um banco. A calçada e depois os carros, os ônibus, os edifícios.
O nome caminhou e ficou encostado no banco. A mão se abriu e a maleta caiu no chão. Abriu-se: pijama, escova, chocolate, calcinha, um livro, o disco.
No ar, outro nome:
- Daniel!
- Cleo!
- Daniel!
- Cleo!
Ele chegou também para junto do banco. E o espaço entre seus lábios diminuía, enquanto pronunciavam os nomes cada vez mais baixo, mais para uma só pessoa.
- Cleo...
- Daniel...
As mãos se encontraram quando não era mais possível falar. Porém ainda houve tempo pra que Cleo e Daniel se dissessem os nomes, um dentro do outro. Sentaram-se abraçados, as bocas coladas.
Primeiro a subida. Como nos sonhos. A gente salta e permanece longo tempo no ar, quanto quiser. Cleo subia pelos lábios de Daniel. Subia insuflada pelo ar, pelo hálito verde, seiva aérea que chegava à boca e descobria passagens novas e inexploradas, para se expandir. E percorria seu corpo por onde jamais passaram os nervos, o sangue, a linfa, a vida. Um despertar de sono eterno, só átomos, das células, dos órgãos. Mais luz que calor. Sentia a transparência inflamada de uma necessidade antiga e desconhecida. No alto, muito alto, acima de tudo, percebeu que a vida se reorganizava dentro de si, fluindo mansamente de todas as partes iluminadas, para um centro único. E começou a descida. Primeiro dentro. Da boca ao ventre. Quando toda a sua vida, renovada, limpa, concentrada, unitária, deixou morto o resto do corpo e ficou suspensa, imóvel no sexo veio a exploração, a desintegração, o caos. A paz vertiginosa.
Daniel sentiu e compreendeu tudo o que acontecia em Cleo. Porque não havia mais Cleo. Nem Daniel. Havia o beijo. O encontro, a ascensão e a queda. Queda que era ascensão, pois não havia mais centro, como não há centro nem periferia no universo. O curso da energia livre não tem fim. E novas desintegrações, novas sínteses, no ritmo do infinito sendo antes e depois sem tempo, sendo aqui e agora, sem espaço.
Um beijo de adolescentes num banco de praça. Três horas da tarde. Bocas coladas, olhos fechados, mãos apertadas. Nenhum movimento na superfície. Indício aparente algum de que havia sido violado o segredo da vida, dentro daquele beijo.
O primeiro transeunte achou bonito e parou. Olhava o casal, mas via a sua própria condição. E chegou no limite de sua solidão e insatisfações. Deixou de sentir e pensou. Parou de pensar e julgou. Julgou com a solidão e as insatisfações. E condenou.
O segundo, o terceiro, o quarto e o quinto, todos, porque já não eram mais um, não tiveram tempo e nem possibilidade para a surpresa, a emoção e o juízo. O sexto, o sétimo, o oitavo, o nono, o décimo, porque precisavam perguntar para conhecer o que viam, sentiram o que o primeiro julgou e os outros escandalizaram.
Onde dez pessoas param, haverá logo uma centena. Nasce a multidão, exigindo satisfação plena. Como o amor e o ódio das feras em liberdade. As leis do NÓS não têm conteúdo de consciência, de ética e de valor.
Olhares, gestos, gritos, assobios individuais, logo tornaram-se corais e danças. Porisso, para compreendermos a massa é preciso estarmos bem acima dela, numa posição e distância que não nos possa contaminar e não seja possível distinguir o que faz um de seus componentes. E seu líder, o inconsciente da Humanidade.
Quem, como pessoa, pode suportar, face as suas limitações, frustrações e angústias, a imagem da liberdade total, do prazer e da alegria revelados de forma pura e natural? Quem, como pessoa, que racionaliza o impossível, que mistifica o misterioso e sublima a impotência, pode tolerar a visão física do eterno, o segredo humano revelado, a energia vital possuída e possuindo?

Não se via nada, além da estátua de um beijo. Estátua de carne, mas estátua. Nenhum movimento. Apenas o tempo do beijo era maior, como o das estátuas. Só isso o que se via sobre o banco da praça. Cada um que olhava, entretanto, sentia o que não estava olhando. E entrava merda em lugar de sangue, em seu coração. Sentia, cada um, ao ver aquilo, o que houve nunca em si mesmo. E a estátua de carne torna-se uma ofensa. Ofensa insuportável que obriga revide. Necessidade de revide que é inveja. Muito mais que inveja, é ódio. E quando chega-se ao ódio, descobre-se o amor. O amor inatingível, o amor alheio. Então, olhando o beijo de Cleo e Daniel, sentindo o que vê - o desconhecido sentimento, o inatingível prazer - cada um é um mendigo em desespero. Cada um é o ódio exigindo destruição.
Na massa, poucos vêem, mas todos sentem. E basata alguém gritar. E alguém gritou. Veio a fúria. Todos gritavam. Gritavam para se libertarem da dor que os imobilizava, impedia-os de viver.
Cleo e Daniel não se dava conta de coisa alguma, além do que sentiam. Era tudo novo, imenso. Não podiam ouvir gritos e perceber a presença da massa enfurecida a seu redor. Subidas e descidas, sem fim. Sons e cores desconhecidas e mais belas que os existentes. E o calor, mais qualidade que intensidade. Cleodanieldanielcleo: silêncio.
Os mais próximos, berravam aos seus ouvidos. O que é que diziam? Nada. Berravam, como os bichos. Berravam que era preciso parar, acabar. No céu, desde que os dois haviam se encontrado, apenas o Sol desaparecera. Na terra, por ali, o trânsito estava interrompido. Filas imensas de carros, de ónibus e gente que descia e juntava-se à massa. O que havia? Os últimos nunca sabem a verdade. Mas gritam como os primeiros. E são ainda mais cruéis.
Sirene. Os soldados descem de caminhões. Enfrentam a massa. Para dispersá-la. Porque o trânsito está parado e o povo ocupa toda a Praça da República, as ruas próximas, Apitos que ensurdecem, bombas que fazem chorar, mas não se afastam.
Longe, muito longe do alcance das bombas, Cleo e Daniel choram também e estreitam o abraço. Mas são agarrados. Um grupo segura o corpo de Cleo e o outro de Daniel. Começa a luta. Conseguem, num tranco violento, separá-los. Suspensos sobre as cabeças do povo, são impulsionados por braços e mãos sem direção e sentido algum. Seus gritos não podem ser ouvidos, porque um gemido desesperado e contínuo, coletivo e anônimo, apaga tudo. Os dois dizem apenas: Cleo e Daniel. Cleo grita por Daniel. Daniel grita por Cleo. Mas a distância entre ele aumenta sempre. Ela está na rua das Palmeiras e ele na rua São Luís, suspenso agora por pequeno grupo de pessoas. E caem no asfalto. Não se erguem. Ninguém mais é todos. Acabou. Ônibus e carros superlotam. O trânsito volta a funcionar. Ruas e praças ficam desertas. As luzes se acendem.


Um lindo Romeu e Julieta Rodrigueano que exprime a impossível existência do amor em uma sociedade burguesa, como diz Roberto Freire.
Li a última página com meu coração aflito - era câncer ou amor? - dormi com minha alma dolorida.

" Bonne nuit, petit monstre adorable, salaud de mon coeur... "

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quando o sentimento nasce a relação acaba...

Percebo como as histórias de amor são parecidas.
Não aquela do "viveram felizes pra sempre", mas aquela como a minha e a sua.
Sempre estamos em relações complexas com homens que brincam com nossos sentimentos.
Eles somem, fogem, na verdade sentem medo do nos amar... De NOS amar sim! Pois com as outras é diferente... é a NOSSA ligação que não atendem, é para NÓS que não têm tempo, é o NOSSO amor que ignoram...
Não cobramos nada, pelo contrário, pedimos tão pouco, mas acabamos sozinhas sem saber se nos humilhamos indo atrás ou se nos conformamos com a distância.
Vou sentir saudade dos nossos detalhes, do seu cabelo, das conversas...
Porquê?
Vai sentir saudade porque quer e falando sério é bom que sinta mesmo. Que sinta saudade de você, que sinta culpa por te fazer sofrer, que sinta remorso por ter te pedido, pois só assim ele verá como você também sofreu ao imaginá-lo com ela.
Sei o que você está passando. O sentimento de falta domina todo o seu corpo só de imaginar que aquele beijo, aquele abraço e aquele olhar te abandonou para repousar em outra pele.
"Vou então me valorizar - Não vou ligar, nem tentar vê-lo, muito menos mandar e-mail... Não vou chorar.
Ixx!!! Tá parecendo livro de auto-ajuda.
Fala sério de novo!
Vai doer, o dia vai perder a graça, o travesseiro vai ficar molhado por lágrimas, o telefone vai tá lá o tempo todo na letra E quase chamando e você, sozinha, com uma pilha de apostilas do pré-vestibular pra estudar, vai pas-si-va-men-te esperar a paixão ir embora e enfim volta a sua vida "normal".
E aí, quando chegar esse dia me liga, pois quero saber se valeu a pena abrir mão do seu amor.

Duas rosas

Na estrada vi um ramo seco com duas rosas vermelhas, mas tão vermelhas que pareciam sangue brotando de um canteiro de flores tristes.
O asfalto é quente, acho que foi o calor que secou aquele planta, ou foi talvez a solidão?
Os carros passam e nem percebem a beleza melancólica daquele último suspiro.
Choveu e as rosas, molhadas, choraram suas lágrimas sozinhas.
Separadas pela distância dos galhos elas se completavam sem transpor os espinhos que as envolvia.
Não deu para sentir o aroma de seus perfumes, minha janela estava fechada, mas aquela cor era tão intensa que penetrou na minha mente se fixando como uma foto na parede da minha lembrança.
Fazia tempo que não via Rosas vermelhas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Volto a pensar nas máscaras que uso para me esconder do mundo e acabo vendo como meu papel machê é fraco e pouco para todas as minhas personagens.
Às vezes meus momentos de transparência passam sem que eu perceba e quando dou conta já estou ao estilo veneziano me divertindo com as emoções dos outros e também com as minhas.
Maqueio meu rosto e delineio meus olhos de preto afim de dar a impressão de ser outra mulher - mais forte, determinada e sensual - escondo minha insegurança dentro do Livro D'ele e vou transformando minha vida em fragmentos de peças rodrigueanas buscando sempre conflitos, prazeres e farsas.
Certas pessoas despertam em mim sentimentos tão avessos que me perco sem saber de fato o que sinto...
Desejo/ repugnância/ amor/ medo/ afeto/ solidão...
É tudo tão pulsante que minha única saída é viver na mistura louca dessas emoções e atuar improvisos do que sinto a cada instante.
Beijos - repulsas - carinho - ciúmes - descasos - saudades...
Não quero novas crises, não agora que estou (estava) tão bem comigo mesma. Não agora que tudo é mais claro, mais calmo e mais eu.