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domingo, 10 de janeiro de 2010

Orgia de Palavras

O caderno há tempos não recebia novas frases e as folhas vazias de repente se enchiam de palavras ocas que tudo diziam, mas sem nada de importante para significar.
Em meio as suas conjecturas amorosas e todos os sofrimentos eventuais por causa de supostas saudades insuportáveis ela, enfim, conseguiu aceitar a ideia de que ele não sabia amá-la e isso não era sua culpa.
Mas apesar de tal conclusão, ver aquele infame era uma necessidade para sua vontade e vivendo dentro de um melodrama mexicano de quinta categoria a dúvida agora era se ligava ou não.
Como ligar e dizer que está com saudade? Com que voz dizer que o ama?
Não. Ligar não dá... pelo menos não nessa condição deprimente de amante duvidosa do que dizer ao querido amor ausente.
Palavras são melhores escritas do que faladas... talvez por se eternizarem em tais letras inventadas adquiram
um poder maior do que aquela frase dita e daqui a pouco esquecida.
Às vezes você fala e o outro não te escuta, não tem a sensibilidade suficiente de entender o que se acabou de falar... sentimentos transcritos podem ser relidos e interpretados de diversas formas pensáveis. Num texto você não gagueja, sua voz não treme e pensando assim ela tentou mandar um e-mail.
E-mail... coisa fria e anti-romântica... mas um recurso.
Como começar?

Te ver é uma necessidade
Frase de música?
Não!!!
Querido, quero esse fim de semana enroscar meus cabelos em teus braços...

Aí! Que meloso!!! Não, não, não... quem sabe talvez um

Amor, sinto falta de teus beijos, que tal matarmos a saudade de nossos corpos vorazes em uma linda noite de amor?


Hum... Talvez ele não mereça tanto romantismo... mas porque mesmo manda-se um e-mail? Nesse caso como um convite... Pra quê convidá-lo se ele não a ama?
Não. Dane-se o amor escrito que sente-se sozinho... Danem-se as frases de amor sinceras que todos julgam exageradas... Dane-se o mundo, que surdo não ouve os lamentos de um coração infante que brinca de
amarelinha numa rua de estranhos.
Palavras. Para quê palavras se com um olhar podemos estabelecer uma comunicação para lá de existencial?Para quê olhares se as peles exalam frases animalescas de sentimentos exacerbados?
e-mail... um e-mail com:



Meu Arlequim selvagem
Que tal um encontro nada ao acaso, para que nossos corpos se deliciem um ao outro sobre lençóis suados de prazer?
Um beijo osculante da sua concubina amante.


Para quê palavras que escandalosamente propõem uma farra para corpos des/conhecidos? E-mail. Para quê um e-mail se na verdade quer-se ouvir vozes? Por melhor que seja reler recados, o timbre sempre supera e o fato das faltas constantes de sons causa danos psico/sócio/antropo/filosóficos segundo o ministério dos amantes.
Por favor Pierròt ame essa Colombina S'il vous plaît chers Desepero em não te ter Ele não tem culpa mas ele não sabe me amar Te ver é uma necessidade Como um tango... vermelho em movimento...Com cheiro de volúpia... Quero um fim de semana para enroscar o meu cabelo em teus braços Um beijo de surpresa no carro Uma carona despretensiosa Uma música intencional O meu corpo foi marcado pelo seu Não volte com aquele ar de desculpas que me fazem te perdoar, tenha coragem, assuma não mais me amar Não venha com aquele carinho carinhoso, aquele olhar terno e aquele sexo perfeito Quero verdade e não ilusões de um sentimento que inventamos juntos Esta ternura y estas manos libres A culpa também é sua... não me apaixonei sozinha Você também me apaixonou por você. Quero projetos versiculares Não quero blusas como presente A mala está arrumada... talvez você viaje e me deixe aqui, sozinha com uma enorme de saudade... acompanhada por um vazio... pela réstia de tua lembrança... de teu sorriso amarelo que brilhou na minha vida como um sol que invade a escuridão Não quero um destino escrito, não quero acasos pretensiosos Quero coincidências...O futuro não existe, quando ele chega já deixa de ser futuro e passa a ser presente ¿a quién darlas bajo el viento ? O amanhã é sempre hoje depois que chega O tempo passa sem que percebamos e quando percebemos nos assustamos com essas rugas no canto dos olhos. Tenho medo da distancia mas vivo que nem louca dentro de seu território A miragem que vejo assombra a vida que vivo...Não quero perder teu sorriso... não posso imaginar minhas manhãs sem teus pequenos olhos a me olhar e puxar meus cabelos com um carinho despercebido.Saudade de um tempo que ainda não passou O que me interessa? Mira, no pido mucho, solamente tu mano, tenerla como un sapito que duerme así contento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dislate

Há absurdos palpáveis como uma foto rasgada por raiva ou o telefone que não toca durante o tempo que lhe foi permitido tocar. Mas, nesse caso, o absurdo não é apenas o fato do toque, mas sim o tempo que se demora nessa espera tola. Esse tempo é palpável?

Esse tempo, lento e insosso, está hoje, amanhã e hoje de novo e logo isso se torna uma vida demasiadamente branca pela saudade de mãos inexplicavelmente carinhosas.

“- O absurdo é que não pareça absurdo – disse sibilinamente Oliveira – o absurdo é você sair de manhã e encontrar a garrafa de leite na porta do seu apartamento, ficando muito tranqüilo porque ontem aconteceu o mesmo e amanhã voltará a acontecer. É este estancamento, esse assim seja, esta suspeitosa ausência de exceções. Eu não sei, meu amigo, mas seria preciso procurar outro caminho.”

(Córtazar. Jogo da amarelinha, p.199)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Permanecem




 Achei esse blog por acaso, mesmo que a autora diga que o acaso não exista e absurdamente me vi nas palavras que ela escreve... o endereço: http://blogfullmoon.blogs.sapo.pt/
pena que ela parou de postar nele, mas vale a pena... é lindo!!! Apreciem!!!

Mais um ano que passou como nuvem que se esfuma.

É o princípio de outro que se constrói sobre sonhos e promessas.

Noites que se viveram, dias de espera, manhãs de angústia, esperança, tristeza, alegria, indiferença, raiva, dor… sentimentos que desfilaram neste palco onde nos articulamos.

Gestos repetidos, frases que se trocam, rostos que se vêem e… o que fica? Quem fica?

Permanecem, como estrelas em noite escura, pequenos momentos, fragmentos desprendidos de uma realidade pardacenta, onde habitamos e respiramos.

Quem ficou, mesmo não estando presente, caminha a meu lado… será uma sombra, um suspiro, um sorriso, uma gota de chuva… será para sempre em mim a memória daquilo que foi!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!



É meia noite e mais um ano se acaba.
Comemoremos!!!
O ano que se vai ou a nova esperança que chega?
Esperança?
Esperança de que dias melhores sempre virão...
Novos desejos, novos amigos, novos lugares, alegrias, festas... novos amores.
Elevem suas taças, fechem os olhos e façam simpatias para chamar a boa sorte nesse novo ano.
Simpatia boa é a da uva, traz dinheiro.
Ou talvez a da peça íntima com a cor do seu desejo futuro...
Ano novo vida nova!
Eita!!!
Mas é ano novo então brindemos...
e aqui faço o brinde aos meus amigos, que esse ano foram fundamentais para mim e à minha princesa que me trouxe a luz dos meus olhos.

Sofrimento antecipado

Quando iria imaginar amar assim alguém?

Tão pequena... geniosa... indefesa e linda...
Como imaginar minha vida sem você?
Como vou acordar de manhã e não receber teu sorriso de bom dia?
Como vou estudar se você não estará na porta do meu quarto batendo para brincar?
Como é que vou passar pela porta do teu quarto e esquecer os dias em que fui lá espiar você dormindo?
Como olhar o berço, o andajar e todos esses brinquedos que são teu?
Como vou poder ficar na sala sem você gritando e bagunçando tudo?
De que cor serão meus dias nessa casa sem teus pequenos olhos que tanto amamos?
Tudo agora está vazio só de imaginar você longe de mim...
Quem vai puxar meu cabelo, arranhar meu rosto e me fazer gastar todo meu dinheiro em ursinhos, bonecas e vestidos cor de rosa?
Os planos onde ficarão?
Não vou escutar você dizer o seu primeiro titia?
Não vou ver ser primeiro passo?
Não vou te acompanhar no teu primeiro dia de aula?
Não vou te por no balé junto com Clarinha?
Tenho tanto pra te dar ainda... ainda faltam tantos beijos, tantos cheiros, tantos abraços, sorrisos, gritos e choros...
Como é que vou ficar sem sentir o teu cheiro? Sem te ver tomando banho e molhando tudo ao redor? Será que nunca vou cantar com você a música do chuveiro que canto quando dou banho nas crianças?
Com quem eu vou me preocupar em levar ao médico?
E o maiô rosa que comprei pra você? Onde usarás se naquele nada que insistem em te levar não tem praia? Em que mar vais se banhar e em qual areia espalharás os castelos que eu criarei pra você?
Teus aniversários irão passar e os presentes ficarão nas vitrines, pois a distância me impedirá de ver a tua alegria em rasgar os embrulhos.
Quem vai ser minha vida se você se for?
Sinto uma dor e choro compulsivamente...
Meu coração ta virando pó e até que o tempo passe e eu me acostume apenas com teus recados o sofrimento vai ser muito grande e confesso que a cada dia que passar vou definhar de tanta saudade...
Meu amor é deveras grande por alguém tão pequenina...
Te amo porque você é a minha vida!


Ao amorzinho da minha vida...

Ayel



Queria ser um anjo.

Daqueles com rosto de anjo, com grandes asas de anjo.
Queria, com minhas asas, voar sobre o abismo que caminha a minha vida.
Um abismo labiríntico sobre o qual insisto em dançar.
Sonho este sonho e ao acordar-me olho no espelho em busca de meu verso encantado.
Estou presa ao chão.
Carrego apenas em Resquícios de mim um vôo .... as minhas omoplatas serão raízes de asas que se despedaçaram no momento em que minha alma encarnou?
Queria ser um anjo,
Daqueles com rosto de anjo, com grandes asas de anjo ...
Mas é quando olho em meus olhos que sei que sou um anjo enfim.
Um anjo caído abandonado, esquecido nesse mundo de demônios libidinosos.
Um anjo pornográfico.
Anjo Souvenir de uma loja de lembranças.
Anjo de pecado.
Agora eu sou um anjo.
Sem aquele rosto de anjo,
Sem as grandes asas de anjo.
Sou um anjo com resquício de duvidosa pureza.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Te mando um recado



Olha... te espero sentada em meu mundo vermelho... hoje escuto um tango e sinto que cada vez mais teu amor anda para longe de mim... sei que sou meio assim, assim... mas olha... o tempo passa e a eternidade de dias que estou aqui, sentada nesse chão frio, a escutar diversas músicas só para lembrar de tuas mãos... é tempo demais amor... como estás? Acabou de passa um carro parecido com o teu, mas não vi a placa, também não adiantaria, não sei teu número, nem teu endereço, como te achar se não nos meus sonhos esporádicos e freudianos??? Se fiquei esperando você chegar é porque uma festa preparei, botei o vestido azul que achas lindo, o perfume sensual que te agrada e uma música de Nando Reis. Os dias insistem em passar, mas o futuro que me prometeste ainda não chegou, vai demorar muito? Não agüento mais esse presente insistente... não sei mais de que cor eu pinto meus cabelos e isso é trágico. Estou com medo. Começa a escurecer e as luzes não clareiam muito, são daquelas amareladas que não me permitem ler aquele romance daquele escritor que tu tanto ama e me fez amar também. Como estás? Meus olhos continuam tristes e a minha voz anda relutante, parei de ler Nelson, ando meio romântica e comprei uma blusa cor de rosa. Continuo sentada assim, com minha postura incorreta e com esse amor condicionado a sua ausência que parece não lembrar que me esqueceu aqui. Beijos, me liga.

OLHOS

De repente se olharam

E numa fração de minuto sentiram uma imensidão de sonhos solitários passarem por suas mentes...
Aqueles olhos se apaixonaram e a partir dali viveram uma vida de lágrimas, colírios e oftalmologistas...
Como era possível que aqueles olhos possuíssem tamanha delicadeza em seu jeito de sentir? Bastavam olhar um no outro que tudo passava e ser eles.
Tudo era tão singelo ao redor que, sem perceber, como uma falsa paz que se instalava num peito angustiado, desejaram se entregar aquela sensação azul.
As vozes não eram ouvidas, pois palavras não eram necessárias naquela comunicação.
As peles roçavam ao som do sussurro do suor que descia e as bocas, abertas, beijavam-se em busca de um gosto apurado e indiscreto.
Em cada momento juntos aqueles olhos se amavam na contemplação de um prazer, mas de repente foram necessários óculos e as lentes passaram a atrapalhar... o amor ficou embaçado...
E aquilo que era claro, nítido e perfeito passou a ser aparentemente confuso e estranho.
As lentes fizeram a visão supostamente melhorar e aquela pele lisa, não parecia mais lisa e aqueles cabelos macios não tinham mais a mesma cor e os olhos, ao acostumar-se com as lentes passaram a se cansar daqueles rostos outrora belos.
Descontentes com a situação resolveram ir em busca de novos recursos, talvez colírios ajudassem a descontrair o momento... o cansaço... mas tudo parecia vão... os olhos não mais se reconheciam e as palavras passaram a ser necessárias.
Aprenderam a falar, mas as frases nunca diziam exatamente o que sentiam, sempre vinham rodeadas de dúvidas, medo e constrangimento e logo os dois desaprenderam a amar.
Não vendo mais um ao outro, não sentido nas recíprocas íris o amor que ambos sabiam existir, resolveram cegar-se para a relação. Separados, um ficou com outros olhos e o outro ficou com a saudade de não mais descobrir o que sentia.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

DESENHO




Sente o vento soprar o seu rosto e com esse carinho invisível abre os olhos.
Que lugar é esse?
De repente ela acordou em uma floresta, mas imaginou que estivesse sonhado. Confusa foi explorar o local.
- Oi! Tem alguém aí?
Aí aonde? Talvez atrás das folhas ou quem sabe sob uma pedra amarela... não, aparentemente não havia ninguém por lá.
Seguiu qualquer caminho e aos poucos foi percebendo que aquelas árvores eram diferentes. Eram um tanto sem contornos, como quando pintamos com lápis de cor sem fazer o traço do desenho com hidrocor preto. Você sabe como é!
As flores eram exóticas, com coloridos artificiais de cores inexistentes... um marrom que lembrava rosas e um verde meio alaranjado. Naquele mundo era tudo assim: impreciso.
No meio do caminho //se é que era meio, afinal não sabia onde era o começo e nem se estava perto do fim, mas em algum ponto de algum lugar ela sabia que estava e lá// viu um bichinho se mexendo por trás das folhas de crepom.
- Olá?
Ele olhou-a, curioso em achar que já conhecia aquele rosto // engraçado, mas vale dizer que nessa floresta os animais também eram diferentes. Os pássaros tinham as escamas furta-cor e cantavam musicas espanholas, os peixes em contrapartida viviam molhados e quando estavam felizes soltavam bolhas de sabão de dentro das lagoas. Ah! E na floresta tinha um leão com a juba de penas de pavão cor de rosa choque. Como sei disso? Foi o bichinho do qual estávamos falando que falou a menina que tinha dito olá. //
- Oi.
Respondeu depois de ver, olhar e reconhecer aquelas bochechas sardentas.
Ela também viu, olhou, mas não reconheceu aquela coisa rechonchuda com espinhos de plástico que parecia um porco espinho, mas que lembrava mais um tatau.
Um tatau? É. Não sabemos bem o que é um tatau, mas ela achou que o nome combinava com aquela coisa e assim resolveu chamá-lo. Fazer o que?
Levando-a para passear, agora por um caminho certo //se é que o outro estava errado// contou a ela aquilo que te falei sobre os moradores da floresta e além falou também do sol que insistia em ser lilás e da lua que vivia de regime para não encher e //novamente de repente// ela agora viu que o caminho levava a uma casa.
Assim... casa, casa, não era! Na verdade era árvore, mas o tronco tinha maçaneta, logo, porta, sala, janelas, quarto e tudo isso junto é casa, não é? E sem saber como //e nem eu sei e com certeza você também não// ela achou que a casa era dela. E não é que era! Afinal na estante tinham um porta-retrato com sua foto ao lado dos seus livros favoritos e também um origami de papel que tinha feito um dia desses na escola.
No quarto não tinha nada, apenas um espelho e pendurado nele uma fita vermelha de cetim. Indo – de va gar – com medo que o espelho falasse //afinal depois de peixes escamosos e de um tatau esquisito tudo era possível// viu a sua imagem refletida naquele nada.
Seu vestido era o mesmo de antes, um branco, com flores bordadas, que adorava usar quando ia à praia. Seus cabelos estavam horríveis, despenteados, pareciam mais uma labareda raivosa. Talvez a fita estivesse ali para isso: arrumar aquela confusão espacial.
Passando as mãos delicadamente por seus fios de cobre, ela lançou a fita ao redor deles e com um belo laço desajeitado melhorou a aparência daquelas ondas revoltas.
Engraçado... ela olhava para o espelho e se via sem contornos como tudo ao seu redor, mas quando olhava diretamente para si mesma, suas mãos, braços, pernas e pés, tinham a marca do hidrocor.
Mas... //mais uma vez// de repente escutou um grito e sem saber o que fazer procurou o tatau.
- Corre!!!
Correr? Como assim? Até dois segundos atrás havia uma paz naquela aparência de existir, agora algo gritava como se fosse dentro de si, para buscar algo de si...
- Corre!!!
- Pra onde?
Gritou sozinha na sua sala de madeira oca e sem obter resposta ela correu............................................................................................................................... Correu em meio à perfeição daqueles desenhos imprecisos e a medida que corria sentia a fugaz alegria de se impregnar com as cores que manchavam o seu vestido claro. O sol estava lilás, mas o calor continuava amarelo e o vento movia-se de acordo com os acordes dos passos daquela menina ;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;;  Ela não mais corria ;;;;;;; Ela dançava ao ritmo das bolhas dos peixes *************** rodopiava tocando as pétalas das fadas e ao chegar no fim encontrou um mar de borboletas azuis que brilhavam como um coração apaixonado.   Era lindo... seus olhos amendoados sorriam ao ver tamanha irrealidade e para não desacretidar fechou-os para lançar-se naquele mar de asas tortuosas que encobriam um abismo.  E //de repente// por fim...                                                                    Acordou.








# Para uma jovem menina que ao sonhar com uma floresta ficou amiga de um porco espinho e pediu-me que escrevesse tal vida... Talvez a menina chame-se Alice ou quem sabe Sofia... Se ta bom não sei, mas, de repente, no fim, gostei tanto que resolvi postá-lo aqui.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Recordação

Lembra de nossos corpos juntos.
Lembra de nosso suor misturado que exala o prazer que somos um para o outro.
Lembra também de nosso beijo. Há o que falar do nosso beijo? Não. Nossas línguas não falam, elas apenas embalam a saudade de nossas bocas.
Lembra um pouco mais dos nossos cabelos misturados, que me dão a sensação de não saber onde começo, onde começas, onde terminamos. Lembra ainda de nossos risos. Risos maliciosos ludibriados pela luxúria.
Lembra dos meus sinais. Teu caminho em meu mundo é traçado por eles. Lembra?
Lembra do meu cheiro. Cheiro definidamente indefinido... Cheiro de dália, cheiro de bebê, cheiro de amante... O cheiro do meu amor para ti.
Lembra, enfim, de mim.
Lembraste?
Agora me procura e todas essas lembranças tornarão a ser realidades. Eternidades.
Afinal, não agüento mais a saudade que sinto de ti.

Alucinação

Meus sentimentos são coisas tão vulneráveis que às vezes me decepciono comigo mesma.
Criatura! Fica quieta! Pára de insistir...
Mas sou meia surda e não ligo muito para os conselhos do meu demônio.
Olha... Hoje comecei a ler um livro que ta me apaixonando, os dias estão quentes e o meu bonsai tem uma romã.
É primavera... Te amo.
Algumas emoções estão desconexas e o meu raro racionalismo não me dá nenhum prêmio empírico de merecimento ao meu bom comportamento feminino.
Falei com um príncipe encantado... Ele perguntou porque to só...
Porque não querem me amar...
Talvez te falte atitude...
Não. Talvez sobre atitude.
O que queres de mim?
Antes de responder ele sumiu e meus sentimentos vulneráveis ficaram o observar uma lua de dezembro.


De hoje em diante

Vou modificar o meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama e tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém