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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Amor 77

Y después de hacer todo lo que hacen, se levantan, se bañan, se entalcan, se perfuman, se peinan, se visten, y así progresivamente van volviendo a ser lo que no son.                    (Julio Cortázar)




Tentei escrever algo sobre uma certa sexta, não de tarde, mas de manhã...
a inspiração não veio... talvez ela se tenha perdido por certo olhos verdes que há tempos não vejo...
mas os olhos dessa sexta não foram verdes, nem castanhos, mas um mel, com gosto de vida.

Algo...

Quero palavras...
Palavras que sozinhas expressem o que à tempos imemoráveis espero escutar.
Quero sins e nãos.
Talvez eu não quero.
Saudade já cansei.
Dia
Tarde
Amor
Linda
Boba
Ostra
Palavras velhas, nunca mais ouvidas...
Quero timbres de voz, carinhosos.
Quero carinho...
Quero uma letra, um G, um S ou qualquer outra do alfabeto que possa substituí-las.
Não quero apenas palavras, mas também sentimentos.Frases completas com sujeito, verbo e predicado...

Como você está?
Estou com saudades!
Vamos se ver?
O clima aí é bom?
Adorei as fotos.
Manda lembranças.
Não. Não quero mais frases... não quero somente palavras...
Quero atitudes.
Vem.
Liga.
Beija.
Viaja.
Ama.
Aparece.
Perdoa.
Não. Não vou esperar atitudes.
É tão difícil elas virem que vou acabar cansando...

Me manda ao menos um recado.

sábado, 24 de outubro de 2009

Desisto

Não vou mais ligar
Não vou mais tentar
Nem chamar, muito menos procurar
Não vou mais te beijar
Não vou mais te abraçar
Nem te cheirar, muito menos te amar
Não vou mais rir
Não vou mais cobrir
Nem partir, muito menos insistir
Não vou mais olhar
Não vou mais falar
Nem escutar, muito menos notar
Sem conversas
Sem brigas
Sem pazes
Sem olhares
Sem sexo
Sem contato
Sem saudade
Sem recados
Sem pedidos
Sem nada. Literalmente.
Simplesmente desisto de você.
E não vou chorar
Não vou sofrer
Nem lembrar e muito menos voltar.



# O ponto, agora, é de verdade, pelo menos por enquanto.

Tentativa

Sabe aquela frase: se você não quer tem quem queira ?!


Pois é... descobri o quanto ela é aplicável na minha realidade empírica.
Claro que quem quer não é exatamente quem eu quero, mas também não vamos ser exigentes... calma! ...
Minha carência não permite certas escolhas, quero novos corpos, quero novas vozes além daquela doce que só ouso por telefone, ou daquela indiferente que só escuto em festas.

Então ta... vamos tentar mudar!

Buscar novas razões, novos livros e velhas músicas.
Jogar alguns sentimentos inúteis no lixo, afinal certas coisas velhas não têm mais serventia, não vamos mais guardá-las....
Eu, boneca de montar, já perdi peças que me eram essenciais e o meu Gepeto parece que perdeu o prazer de brincar comigo.
Então, deixo de ser boneca, pronto!
Não quero mais brincar...
Não sei se deixei de te amar, mas que doeu, doeu e muito.
Por isso, que outro me ame, mesmo que sozinho,
Que outro me dê carinho, mesmo que não seja o seu,
Que outro me beije, mesmo que tenha outro gosto...
E assim, distante, talvez eu consiga tentar te esquecer.

Indiferença X Indiferença

Quer passar uma noite comigo?
Pode ser.
Uma noite inteira, sozinhos?
Talvez.
Um final de semana, que tal?
Não sei.
Eu to com saudades e você?
Tbm.
Me come!
Vou ver.
Hum... ok! Valeu!!!


Se antes era amor X indiferença, hoje é... ??? ...
Será que é isso que me falta? Será que é isso que eu amo?
Dou tanto... não só o corpo, mas também sentimentos... e em troca o que tenho?
Isso!
In-di-fe-ren-ça !!!
É... agora, de verdade, sinto uma necessidade gritante de voltar a não te amar.
Então vamos voltar a ser indiferença X indiferença.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quem é você?

Que homem é esse que parece tão óbvio, mas se mostra tão complexo à minha psicologia barata.
Talvez seja um homem de fases...
Ora carinhoso, ora bruto...
Ora me ama, ora me despreza...
Sempre me olha, mas ora o olhar é de desejo, ora de reprovação.
Quem é você?
Não quero saber quem é você.
Eu apenas quero você.
Quero um abraço espontâneo, quero um beijo de verdade, quero um carinho singelo, quero um sorriso igual o que dás às tuas “amigas”.
Não preciso de sua palavra, não preciso de declarações, não preciso das convenções que dizem que precisamos.
Preciso apenas de teu corpo, de tuas mãos raramente ternas, de teus olhos que tanto amo, do teu sorriso de menino que surge quando falo minhas besteiras.
Esse amor mutante fere meu carinho e veste em mim uma máscara para fazer de conta que sou indiferente.
Apesar da sua arrogância, da sua prepotência, do seu machismo e da sua indiferença eu ainda te amo.
Mas novamente sinto a necessidade de me afastar.
Se não temos futuro, não adianta tentar.
Quem é você?
Apenas um homem, como muitos outros, que gosta de futebol, de carro e mulher.
Um homem que já amou, sofreu, brincou e aprendeu a viver se protegendo de novas cicatrizes.
Um homem tradicional, às vezes moralista, que planeja se casar com uma mulher bonita e meiga, que cuide da casa, lhe der filhos e não se incomode com as puladas de cerca.
Isso é você?
Não sei. Sei tão pouco, sei apenas o que me falam, sei apenas o que vejo, mas nem sempre as aparências correspondem.
Então quem sou eu?
Quem é você?
Para mim... Apenas para mim, sem opiniões alheias e fuxicos... Você sempre será o homem da minha vida e dessa cidade, um dia, restará somente à lembrança de nossos corpos fazendo amor por aquelas ruas escuras.

Domingo


Almoço de família.
FA – MÍ – LIA
E eu estava lá.
Fazendo o que?
Não sei... Até sei, mas não “posso” assumir.
Ser convidada foi ótimo, estar lá foi péssimo, mas a cara de surpresa dele foi magnífica.
De repente : família.
No meio dos pais, avós, primos, com um sorriso no rosto e uma cara de pau inigualável, lá estava Eu.
O desconcerto do outro foi maior do que o meu e a sensação de que todos ali me aceitavam mais do que ele foi reconfortante.
Quem estava no bar? EU.
Quem estava no churrasco? EU.
Quem estava na festa? EU.
Quem estava se divertindo? EU.
E ele?
Lá... Longe.
Em outro bar, em casa dormindo, sem companhia para a festa e puto da vida comigo.
E nós como ficamos?
NADA.
Não o nada de sempre, mas um nada com certo ressentimento. Um nada cruel até certo ponto...
Os olhares não eram de “te quero”, mas de “o que é que você tá fazendo aqui?”
O que é que eu estava fazendo lá?
Boa pergunta!
Tentando me aproximar, agradar, ser doce (mesmo não parecendo)...
Buscando atenção, um abraço, um beijo, um “que bom que você ta aqui”...
Mas não consegui nada disso.
De certo modo fui mais além, consegui amigos, risos, tardes animadas, conversas, atenção, carinho.
Minha impulsividade quase sempre (porque sempre mesmo é mentira) me trouxe ele, mas dessa vez fiquei só. 
Às vezes invadir o terreno do outro é uma maneira de mostrar que estamos lá... mas, de verdade? Eu ainda queria ele e o fato de não tê-lo esse fim de semana por conta de algumas das minhas atitudes impulsivas me deixou mais carente e solitáia...
Ai!!! Preciso de férias de certos sentimentos.

PAISAGEM


Vejo ruínas... Ao lado delas uma senhora... Serão ruínas de seu passado?
Vejo árvores... Um caminho de folhas verdes... De repente um ipê roxo... Verdes... Agora um amarelo... Mas porque tantas folhas?
Vi o vento numa placa... Vi a placa de um vento... Placas às vezes indicam caminhos... Talvez seja o caminho de suspiros da terra que fazem meu cabelo esvoaçar...
Viajo sem a minha paciência, talvez ela tenha se perdido em algumas das gavetas que desarrumei para fazer uma mala.
Seco meu rosto molhado por lágrimas... Pingos de um sofrimento... Às vezes parece que é inútil fugir, mas confesso que as fugas ajudam...
Os desencantos clareiam certas vontades...
Porque essa tristeza?
Por achar que hoje não vale à pena rir, também não valha mais a pena ir e talvez nem tenha mais valor o ficar a te esperar.





quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Certo descaso

Silencio a minha dor em prol de um sorriso falso e um beijo carinhoso.


Meu telefone nunca toca e hoje tocou 6 vezes... Foram 6 momentos de profunda aflição até o instante de tirar o telefone da bolsa, olhar o visor e ver que não era ele.

Como sempre, por mais realista que eu seja, por mais acostumada que eu esteja, sempre caio na besteira de acreditar que ele vem de primeira.

Será que não percebo que são inúmeros desencontros para conseguir uma mísera tarde de amor que compensa toda a minha vida?

Pelo menos hoje doeu menos do que ontem, talvez porque meus sentimentos já estejam calejados com esse descaso que tanto me aprisiona.

Consolo

Que lágrimas são essas queridas?


Não adianta chorar pelo leite derramado, principalmente quando tu mesma derramaste.

Se ele se foi, deixa-o partir. Não adianta prendê-lo, pois teus braços já estão cansados e sem forças.

Vai, toma esse lenço.

Ta passando?

Vai passar, uma hora sempre passa, nem que seja por um instante.

Ei! Você é linda sabia?!

Diversos homens enfrentariam dragões e bruxas invejosas por você.

Então, deixe-o ir.

Vocês precisam. O ar está deveras carregado e seus perfumes apagam-se por conta dessa tempestade em um copo d’água que ambos insistem em fazer.

Pára, não chora.

Não lamente esses anos felizes, não diga que perdeu tempo e não ouse duvidar de suas lembranças.

Não. Não foi o amor que acabou, pelo contrário, é ele quem está aí a te fazer sofrer.

Mas as opiniões divergem, a amizade tirou férias e a confiança foi parar em algum canto que é desconhecido.

Não fique com raiva, também não é pra tanto.

Guarda em teu peito os melhores momentos, enxuga esses olhos e vive.

A única coisa que posso fazer por ti é dar-te a minha companhia, minhas palavras e meu carinho, assim como sempre fazes, também, por mim.




# Se às vezes falo verdades dolorosas é porque nossa sinceridade permite, mas de verdade acho que, por enquanto, já deu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Desvelo

Pega-me pela mão e leva-me a tua alcova, quando lá chegarmos arranca-me a roupa, joga-me na cama e beija-me na boca.
Não! Não precisas dizer nada, pois agora já não quero nada além do movimento de nossos corpos ritmicamente embalados pelo silêncio imemorável de nossos olhos que desistiram de falar.
Ai amor!
Estendida em teu leito está a minha carne dividida em sete pedaços de prazer que se integram em busca de uma satisfação antiga.
À meia-luz nossos pêlos se entrelaçam, cabelos, pálpebras...
e a dualidade de nossos seres se funde em uma única espécie de transcendência que se comunica através do ranger de nossos dentes que instigam o pulsar frenético de artérias e a explosão de gemidos que são sugados por nossas línguas dançantes.
Agora há apenas uma pele,
há apenas uma boca,
apenas um membro
e finalmente um único prazer, refinado e úmido após o canibalismo de uma saudade surreal.
Olho-te então e vejo, além de teus verdes olhos amáveis, o sentimento que tanta falta me faz.
Mas agora já não é preferível pensar.
Encosto minha cabeça em teu peito e sinto dolorosamente o aroma de nosso pecado.
A meia-luz vai progressivamente tornando-se inteira e a transcendência una se fragmenta completando esse eterno retorno a um mundo miseravelmente real.
Vestimo-nos, olhamo-nos e finalmente nossos olhares decidem falar.
Falam de despedidas, acenam um ao outro, com lenços ao vento que transportam os perfumes exalados dessas mãos almiscaradas de velhas solidões.

DUETO

Deitada vejo o acaso passando por meus olhos.
Se antes éramos sonhos, o que somos hoje então?
Porque não amas a mim? Tão imperfeita e vulgar? Tão doce e compreensiva?
Porque não amas essa carne miseravelmente servil ao teu toque?
Porque não amas estes cabelos inconstantes? Cacheados, vermelhos, lisos, louros, ondulados, negros, longos, sempre longos?
A cada hora que passa, lá vai minha vida também passando e vejo que no céu vem uma andorinha e atrás dela, novamente, já vem o verão e percebo, meio que do nada, que no mínimo sou duas.
Parte de mim é uma permissiva cortesã de teus lábios. Mulher de afirmativas, de olhos pintados e sorriso subversivo.
Outra parte é uma compreensiva amante de teu cheiro, que se subtrai por um olhar de desejo ou qualquer frase daquelas prontas para me aprisionar na obrigação de amá-lo numa monstruosa incoerência.
Mas para quê preciso de coerências se me impuseste tão forte amor e acabaste de me esquecer?
Para que preciso de coerências se no mínimo sou uma incoerente por vos amar?
Para quê preciso de coerências se elas em nada vão me ajudar?
Sei apenas que preciso de ti...
Com teus olhos capciosos e tua boca plurivalente,
Com tua submissão ditatorial e teus cabelos cacheados,
Com teu sarcasmo e teu carinho,
Com teu gosto e tua voz,
Sei que preciso apenas de vocês, que no mínimo, também são dois.